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quinta-feira, 5 de junho de 2014

poeminha fenomenológico

meus amores, a fenomenologia em poema do pessoa...

O guardador de rebanhos
...                               

II - O Meu Olhar

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

La foi perceptive et son obscurité

Les données les plus évidents dont personne n’en doute pas ; les constructions complexes sur eux dont on est toujours dans l’incertitude : voici la tension parmi le visible et l’invisible que Merleau-Ponty nos présente dans cette partie du chapitre Réflexion et interrogation.
Au-delà de la certitude inexprimable par rapport à ce  que l’on  voit ; quand on interroge ce qu’il est, on se trouve devant beaucoup de difficultés : notre corps comme la limite de ce que l’on peut voir, l’autre comme quelqu’un qu’est capable de voir aussi et dont les visées me sont inaccessibles. Alors, comment exprimer ce que m’est invisible ?
Le visible est celui qui fonde notre foi perceptive : on peut toujours compter sur les choses-mêmes que l’on perçoit, le monde y est appréhendé comme ce qui nous est le plus proche et sans nous poser grands problèmes. Il s’agit ici du monde sensible qui institue en nous une assise de la vérité, l’affirme Merleau-Ponty. Néanmoins, une fois que l’on décide de formuler cette certitude irrésistible on trouve des plusieurs difficultés et elle semble devenir distante. Je me rends compte de que toutes ces convictions sont miennes et alors, avec eux je ne joue jamais dans le champ de l’objectivité. Il est au moment où on se demande s’il y a une garantie pour la vraie de mes convictions que l’on s’écarte du visible.
L’histoire de la philosophie a déjà en fait quand a recouru à l’argument des illusions ou du rêve qui présuppose un monde en soi pour déclasser ce qui est le vrai de ce qui est le faux. Pourtant, on ne peut pas s’accorder celui avec le monde même de notre foi. Il se voit un écart comparable dans le cas de la perception. Ce que je vois n’est pas dans le même sens où sont les composantes corporels qui font les intermèdes parmi moi et les choses.Ce qu’est perçu ne correspond pas aux explications de la perception et il ne se réduit jamais à ce que l’on croit être, dans la perspective du monde en soi, ses conditions ou ses parties, parmi lesquels il est mis le corps. Il n’est que mon point de vue sur le monde, il n’est pas lui qui perçoit, mais, seulement ce qui me peut m’empêcher de percevoir. Il s’efface au moment où la perception arrive et jamais elle ne le saisit en train de percevoir.
La perception ne réussit jamais à se percevoir à soi-même, voici notre difficulté pour l’exprimer. Il s’agit d’un cas où on ne peut compter sur la certitude du monde sensible. Cependant, le plus complexe des paradoxes il est celui de l’autre : au-delà de mes vues sur moi-même, il y a encore des vues d’autrui sur lui-même et sur moi. Il ajoute au paradoxe interne de ma perception cette autre énigme de la propagation en lui de ma vie la plus secrète. Comment donner à sa perception le pouvoir d’accéder au monde ? En outre, comment décrire son vécu vu de ma place ? Je ne me rejoins sa vie que de l’extérieur.
Malgré tout cela, à la fois, même que je ne sache pas où elle est celle chose qu’il perçoit, c’est parce que je la vois hors de son corps que je l’appelle la chose vraie, tout comme pour lui c’est vraie la chose qu’il voit hors mon corps. Au moins, grâce à lui, on se rend compte que la perception n’est pas dans ma tête et n’est nulle part ailleurs, mais aussi que l’on ne peut pas rester à la certitude intime de celui qui perçoit. Alors, quelle la méthode pour appréhender le monde sensible avec tous ses composants, en dépit de cet écart ?
Voilà le rôle méthodologique qui joue l’interrogation dans réflexion. On voit le monde et encore le philosophe feint que ne le voit pas, à fin de se demander : qu’est-ce nous ? Qu’est-ce voir ? Ce n’est pas à dire que l’existence du monde est-elle incertaine, mais demander : qu’est-ce qu’il est existir, être-monde, être-chose, être-imaginaire et être-conscience ? Il y a une différence de structure parmi les perceptions vraies et les fausses. La garantie et le sens de sa fonction ontologique doit être au-dessous de la perception elle-même. Il faut aller tout droit au problème du monde.
Il est quand on y va que l’on se trouve devant l’invisible. On découvre l’univers de la pensée, les structures à travers lesquels on souhaite lui exprimer, lui donner signification. Quand il s’agit du visible, il est facile de l’appuyer, il compte sur une masse de faits, alors que dès qu’on accède au vrai, c’est-à-dire l’invisible, il semble plutôt que chacun habite son îlot. Par contre, des motifs des catégories très abstraites fonctionnent dans cette pensée sauvage, j’arrive à pensées dont je n’étais pas capable et je me sens suivi dans un chemin inconnu que mon discours, relancé par autrui trace pour moi. Il n’est pas un monde intelligible que soutient cette échange, celui-ci se construit par emprunt à la structure d’un monde qui soit commun aux esprits comme l’est le monde sensible aux corps. Et, alors, il est le même monde qui les contient en tant que lieu de leur compossibilité, le style invariable qu’elles observent. Tout cela nous apprendre qu’il est extrapoler traiter comme un le monde, comme si l’univers de la vérité était sans fissures et sans incompossibles.

domingo, 23 de maio de 2010

Sobre as relações entre o psíquico e fisiológico ou entre consciência e mundo...

... este é o título que seria mais adequado ao capítulo: “O corpo como objeto da fisiologia mecanicista” da primeira parte “O corpo” da obra pontyana.

Já esclareço a razão desta afirmação, antes, permitam-me situá-los e cumprimentá-los adequadamente. Primeiramente, olá! Um aviso importante, o grupo “Fenomenologia da percepção” voltou a ser semanal e nos reunimos todas as segundas no mesmo horário e local. Bem, quase um mês depois quero continuar a saldar minha dívida com este espaço, nós já discutimos o segundo capítulo (“A experiência do corpo e a fisiologia clássica”) conduzidos pelo senhor Otávio e agora já há uns três encontros a flamenca Cláudia nos dirige na tentativa de compreensão do árduo terceiro capítulo (“A espacialidade do corpo próprio e a motricidade”).

Agora sim, retornemos ao primeiro capítulo! Bem, apesar do título “O corpo como objeto e a fisiologia mecanicista”, Merleau-Ponty, num raro momento afirmativo, pouco fala da concepção fisiológica de corpo e nos brinda com uma longa exposição sobre como ele entende ser possível, a partir de uma nova concepção de corporeidade, que se estabeleçam as relações entre o psíquico e o fisiológico. Talvez porque, como de costume, o autor entenda que o leitor já conheça o seu interlocutor, neste caso, adivinhem quem é: ele mesmo na sua obra “A estrutura do comportamento”. Nesta, ele já se deu ao trabalho de evidenciar que as relações estabelecidas a partir da perspectiva fisiológica não funcionam nem mesmo dentro de seu próprio esquema, nele o comportamento (e com ele a percepção e a consciência) não se explica. Com exemplos retirados do seio deste tipo de reflexão demonstra que as relações entre estímulo e resposta não são tão constantes e objetivas como se pretende que o fossem. Tal pretensão é oriunda da tese de que os objetos se relacionam entre si como partes extra partes o que demandam traduzir a noção de organismo em linguagem do em si, para que seja compreendida. Entretanto, a análise de lesões centrais e nas vias sensoriais mostra que as excitações de um mesmo sentido dependem mais da maneira que os estímulos elementares se organizam do que do instrumento material de que se servem. Ora, o comportamento nunca consegue ser reduzido a tais relações distintas, a lesão desvela uma capacidade de adaptação inerente ao organismo acusando sua função de dar uma forma aos estímulos. Este processo não pode ser algo que ocorra em terceira pessoa e do qual o cientista consiga se afastar para ter uma visão objetiva. Fazendo uso de sua marca registrada, Merleau-Ponty vai aos casos de exceção para comprovar a insuficiência desta concepção, desta feita os exemplos eleitos são os casos de “membro fantasma” e os de anosognosia. No primeiro o paciente amputado ainda sente o membro perdido e no segundo, a deficiência de um membro faz com que ele não o sinta mais, que o recuse. Vamos nos deter no primeiro caso, dele podemos perguntar: na ausência de estímulos, como poderia haver a resposta em forma de sensação do membro? Poderíamos dizer se tratar de uma recusa em aceitar a deficiência e neste caso teríamos uma resposta meramente psicológica que, aparentemente, explicaria o fenômeno. Contudo, bem sabemos, os extremos nunca são tão diferentes quanto gostariam e também esta é uma explicação insuficiente, prova disto é que se fizermos uma secção do coto, o paciente deixa de sentir o membro amputado. Por isto, afirmei no início que o título do capítulo deveria ser outro, afinal, o esforço de Ponty aqui, diante do naufrágio destas teses, é o de encontrar um meio de estabelecer uma relação válida entre os âmbitos psíquico e físico ou fisiológico. Sem contentar-se com uma explicação mista que ainda operaria no registro da cisão entre o em si e o para si, ele nos apresenta pela primeiríssima vez (nesta obra) o conceito de ser no mundo. Para compreender esta categoria é preciso sair daquelas que se baseiam no mundo objetivo e considerar o fato de que os reflexos não são processos cegos, mas se ajustam ao sentido da situação e exprimem nossa orientação para um meio de comportamento assim como a ação do meio sobre nós, com ela, é possível ancorar a consciência num certo mundo e dar sentido aquilo que para a concepção científica é uma mera soma de reflexos. A partir deste novo fio condutor de análise os fenômenos já citados podem ser verdadeiramente compreendidos, com ela o corpo ganha duas camadas, a do corpo objetivo e a do corpo habitual. O primeiro é o que conduz o ser no mundo e lhe permite unir-se a este meio (do mundo), confundir-se com seus projetos. E ainda que seja um objeto é totalmente diferente dos demais, pois também pode ser portar como um termo não percebido e como o pivô da percepção dos outros. Ele se habitua a se relacionar e a manipular os objetos deste hábito surge a segunda camada, a do corpo habitual, é nela que podemos encontrar explicação para o membro fantasma, o doente se recusa a aceitar a amputação, pois seu corpo habitual afiança as ações do corpo objetivo o ignorando, literalmente, recalcando-o. Tal constatação, traz consigo uma nova concepção de corporeidade e da relação não só do doente, mas de toda consciência com seu corpo. Isto mesmo meus caros, eis que Merleau-Ponty compara não só a doença, mas também o próprio paradoxo do ser no mundo com o recalque psicanalítico! Diz ele que nossa existência enquanto sujeito suprime, recalca nossa existência enquanto corpo, e agimos na maioria das vezes como se fossemos absolutamente livres de necessidades (ou não sujeitos a corrupção, já liberando aqui alguma interpretação de minha parte...); contudo, o corpo nos situa na existência, e a constância entre alguns circuitos de estímulo e resposta nos insere num a priori ao qual não somos capazes de dar razão. Eis então a ambigüidade (famosa...) do ser no mundo: encarnado (literalmente) no seu corpo, por ele é situado neste mundo e ao mesmo tempo em que pode simplesmente obliterar sua existência biológica, sendo desta forma livre, nunca pode fazê-lo totalmente, pois, não só por algumas vezes ela cobra seu preço como a todo instante opera como um a priori da espécie, do qual o homem participa e que lhe determina mais decisões do que ele pode dar conta....

Ah!! Quantas reflexões podemos fazer a partir desta verdadeira enxurrada de informações! Mas, já me delonguei mais do que gostaria e imagino nem ter sido acompanhada até aqui. Despeço-me com a promessa de posts menos explicativos e mais livres sobre tantas questões instigantes! Por fim, uma pergunta que me acomete: com esta ambigüidade teria Ponty se liberado de uma explicação mista? ...

Piscadinhas,

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A "razão" na filosofia

Deixo aqui algumas palavras de minha compreensão despretensiosa da leitura iniciante deste autor deveras instigante....

Et quoi?! Não é que o primeiro aforismo discutido de “O crepúsculo dos ídolos” tem as mesmas tintas de nossa já encaminhada discussão pontyana — o corpo (!), os sentidos, a razão —, obviamente pintadas pelo gênio notadamente irônico de Nietzsche...

Ultrapassando em muito os limites de um exame meramente epistemológico, Nietzsche detecta os preconceitos morais das oposições sentido e razão ou aparência e verdade, deixando muito espaço para a reflexão sobre as conseqüências de sua crítica voraz ao primado da razão e da verdade (enquanto o que se opõe a aparência)!
Com uma tonalidade que posteriormente na história da filosofia reconheceremos em Heidegger (só para contextualizar com as discussões em sala de aula), afirma que a vida é ameaçada pela idolatria do conceito: crença desesperada no ente, tentativa de fixar o movimento para tentar encontrá-lo, pois os sentidos, estes enganadores, nos impediriam de ver (irônico não? Ver ....) o verdadeiro mundo. Uma das conseqüências deste prejuízo: o corpo é tomado por uma “idéia fixa” dos sentidos que deve ser banida. E facilmente detectamos na história da filosofia o quão séria é esta constatação, mesmo o empirismo pouco se importa com ele, visto que sua preocupação é a de decifrar as qualidades primárias e secundárias que compõe nossa percepção das coisas. Tudo o que tem a ver com a “sensualidade” deve ser sublimado! É preciso encontrar, dizem os filósofos, uma unidade: a substância! E conceitos como este que, de fato, só surgem depois de toda esta confusão armada, são, para estes “idólatras do conceito” os primeiros, as causas — não sujeitas ao devir — de tudo o que muda. Entendem eles que por trás da mudança, que é erro, deve haver a identidade do que dura no devir, d’onde por um lado chegamos ao conceito de “Deus” como causa em si e ens realissimun e por outro, pela metafísica ludibriosa da linguagem à idéia de Eu, como agente da vontade que reconhecemos no mundo, onde se assentaria a razão. Esta como causa está na ordem do não sujeito à corrupção e não poderia provir do empírico, deverá então ser originária de um mundo superior. E, como bem nos prova a conclusão indubitável do procedimento metodológico cartesiano, a tese do “Eu” tem a gramática e a lógica a seu favor! O problema de ordem moral, para além das conseqüências epistemológicas, é anterior, todo esta escamoteação do devir e com ele dos sentidos e do corpo tem a ver com a incapacidade de apreendê-lo, de dominá-lo, assim, no lugar de aceitá-lo ele é negativamente valorado!

Mas, Nietzsche nos propõe uma inversão de tudo isso: os sentidos não mentem, mentira é a unidade, a coisidade, a substância e a razão é a causa de neles introduzirmos esta mentira. O aparente é o verdadeiro! Nenhuma outra realidade é demonstrável, o assim chamado “verdadeiro ser” das coisas pela tradição é na verdade o nada. Esta cisão do mundo em “aparente e verdadeiro” é que é uma “decadência”! Com isso também, ainda que o autor não se pronuncie sobre, sucumbe idéia da substância pensante, visto que ela é originada no preconceito da identidade que o real não suporta.

Algumas questões para reflexão: e nós, podemos suportar tal destruição de nossos preconceitos? Sobrevivemos se não nos reconhecemos na identidade de duração de nossas vidas? Por fim: somos como o “artista trágico” capazes de dizer “sim a todo o misterioso e terrível”? Como fazer filosofia sem nossas velhas ferramentas? ...

domingo, 4 de abril de 2010

algumas pinceladas sobre o corpo...

Já tivemos dois encontros depois do primeiro e eu ainda não tive tempo de compartilhá-los aqui! Também deixei de avisar que os encontros passaram para as segundas-feiras (14:30h no NIM) e serão quinzenais! Estou sem crédito para tanto débito e como primeira parcela de pagamento deixo abaixo algumas linhas gerais sobre a introdução da primeira parte da “Feno”: O corpo.





Não é à toa que, antes de falar sobre o corpo Merleau-Ponty dedica algumas páginas à percepção e ao horizonte que a acompanha. A experiência é fadada a perspectivas e elas se dispõem num horizonte de possibilidades passíveis de apreensão. A percepção é, portanto, um êxtase, afinal, ela é um excesso para além do fato de que só temos das coisas, seus perfis e nada mais. Dirá o filósofo que “obcecados” pelo ser nós obliteramos o perspectivismo de nossa experiência e é aí que esquecemos que o corpo é nosso “ponto de vista” sobre o mundo e o tratamos como um objeto entre outro. O exercício dos capítulos seguintes de análise do que ele chama de “corpo objetivo” visará então fazer brotar o “corpo próprio” como o que escapa a estas determinações puramente objetivas.

Já tivemos um encontro sobre o capítulo I: “O corpo como objeto e a fisiologia mecanicista” e para amanhã discutiremos “A experiência do corpo e a psicologia clássica”. Tentarei não me delongar tanto em tratar deles por aqui também!

Piscadinhas ;)

quarta-feira, 17 de março de 2010

qual o tema do livro?

No nosso primeiro encontro oficial para discussão da "Fenomenologia da percepção" surgiu a pergunta: sobre o que é este livro? ou, por outras: o que quer Merleau-Ponty com ele? Obviamente o título parece evidente, mas, além da dificuldade de se definir a percepção (é preciso todo um cuidado para que não o compreendamos como uma sorte de empirismo, p.ex), é difícil apreender qual o estatuto desta investigação pontyana. Ela tem um apelo epistemológico ou ontológico simplesmente? Guarda um 'quê' de existencialismo? Alguma orientação ética no fim? O percurso excessivamente crítico e complexo do autor nos deixa um pouco a deriva, são tantos e tão variados discursos ali enquadrados...
Lendo o "Elogio do sensível: corpo e reflexão em Merleau-Ponty" de Isabel Matos Dias encontrei uma possível luz para esta questão. De acordo com ela o originário é o objeto fundamental desta obra (DIAS, 1989, p. 147) e a perseguição deste tema é fruto justamente das críticas que remete as posturas unilaterais. Ela entende (e nós a princípio concordamos) que Merleau-Ponty "não adquire uma real autonomia em relação as doutrinas que critica" (DIAS, 1989, p. 146), entretanto, sua falta de autonomia advém da tentativa de estabelecer um meio termo entre os extremos intelectualista e empirista o deixando de algum modo em débito com eles. De qualquer modo, poder-se-ia dizer, para responder nossa pergunta, que este originário é ambíguo e deve comportar um pouco daquilo que cada tese extremista prevê. O estatuto desta ambigüidade (que o próprio Ponty designará posteriormente por "má-ambigüidade"), se ontológico ou da ordem da expressão é algo que autora discute na seqüência (sem concluir, ao menos por enquanto - não terminei a leitura do texto) mas que eu gostaria de deixar como questão para posts futuros.
Quero apenas concluir com uma citação em que ela nos apresenta sobre o conceito de corpo (justamente o tema deste semestre) que parece justificar a ambigüidade, sendo talvez o lugar onde ela se apresenta. Nas palavras de Isabel:

"O corpo é a instância mediadora central para que remetem em última análise, as relações entre os termos principais da filosofia pontiana, em Phénoménologie de la Perception. Meditação entre sujeito e mundo, sujeito e tempo, sujeito e outro, etc. A corporeidade tem assim uma função central de mediação." (DIAS, 1989, p. 151)

Referência:
DIAS, Isabel Matos. O elogio do sensível corpo e reflexão em Merleau-Ponty. Lisboa: Litoral Edições, 1989.