No nosso primeiro encontro oficial para discussão da "Fenomenologia da percepção" surgiu a pergunta: sobre o que é este livro? ou, por outras: o que quer Merleau-Ponty com ele? Obviamente o título parece evidente, mas, além da dificuldade de se definir a percepção (é preciso todo um cuidado para que não o compreendamos como uma sorte de empirismo, p.ex), é difícil apreender qual o estatuto desta investigação pontyana. Ela tem um apelo epistemológico ou ontológico simplesmente? Guarda um 'quê' de existencialismo? Alguma orientação ética no fim? O percurso excessivamente crítico e complexo do autor nos deixa um pouco a deriva, são tantos e tão variados discursos ali enquadrados...
Lendo o "Elogio do sensível: corpo e reflexão em Merleau-Ponty" de Isabel Matos Dias encontrei uma possível luz para esta questão. De acordo com ela o originário é o objeto fundamental desta obra (DIAS, 1989, p. 147) e a perseguição deste tema é fruto justamente das críticas que remete as posturas unilaterais. Ela entende (e nós a princípio concordamos) que Merleau-Ponty "não adquire uma real autonomia em relação as doutrinas que critica" (DIAS, 1989, p. 146), entretanto, sua falta de autonomia advém da tentativa de estabelecer um meio termo entre os extremos intelectualista e empirista o deixando de algum modo em débito com eles. De qualquer modo, poder-se-ia dizer, para responder nossa pergunta, que este originário é ambíguo e deve comportar um pouco daquilo que cada tese extremista prevê. O estatuto desta ambigüidade (que o próprio Ponty designará posteriormente por "má-ambigüidade"), se ontológico ou da ordem da expressão é algo que autora discute na seqüência (sem concluir, ao menos por enquanto - não terminei a leitura do texto) mas que eu gostaria de deixar como questão para posts futuros.
Quero apenas concluir com uma citação em que ela nos apresenta sobre o conceito de corpo (justamente o tema deste semestre) que parece justificar a ambigüidade, sendo talvez o lugar onde ela se apresenta. Nas palavras de Isabel:
"O corpo é a instância mediadora central para que remetem em última análise, as relações entre os termos principais da filosofia pontiana, em Phénoménologie de la Perception. Meditação entre sujeito e mundo, sujeito e tempo, sujeito e outro, etc. A corporeidade tem assim uma função central de mediação." (DIAS, 1989, p. 151)
Referência:
DIAS, Isabel Matos. O elogio do sensível corpo e reflexão em Merleau-Ponty. Lisboa: Litoral Edições, 1989.
Lendo o "Elogio do sensível: corpo e reflexão em Merleau-Ponty" de Isabel Matos Dias encontrei uma possível luz para esta questão. De acordo com ela o originário é o objeto fundamental desta obra (DIAS, 1989, p. 147) e a perseguição deste tema é fruto justamente das críticas que remete as posturas unilaterais. Ela entende (e nós a princípio concordamos) que Merleau-Ponty "não adquire uma real autonomia em relação as doutrinas que critica" (DIAS, 1989, p. 146), entretanto, sua falta de autonomia advém da tentativa de estabelecer um meio termo entre os extremos intelectualista e empirista o deixando de algum modo em débito com eles. De qualquer modo, poder-se-ia dizer, para responder nossa pergunta, que este originário é ambíguo e deve comportar um pouco daquilo que cada tese extremista prevê. O estatuto desta ambigüidade (que o próprio Ponty designará posteriormente por "má-ambigüidade"), se ontológico ou da ordem da expressão é algo que autora discute na seqüência (sem concluir, ao menos por enquanto - não terminei a leitura do texto) mas que eu gostaria de deixar como questão para posts futuros.
Quero apenas concluir com uma citação em que ela nos apresenta sobre o conceito de corpo (justamente o tema deste semestre) que parece justificar a ambigüidade, sendo talvez o lugar onde ela se apresenta. Nas palavras de Isabel:
"O corpo é a instância mediadora central para que remetem em última análise, as relações entre os termos principais da filosofia pontiana, em Phénoménologie de la Perception. Meditação entre sujeito e mundo, sujeito e tempo, sujeito e outro, etc. A corporeidade tem assim uma função central de mediação." (DIAS, 1989, p. 151)
Referência:
DIAS, Isabel Matos. O elogio do sensível corpo e reflexão em Merleau-Ponty. Lisboa: Litoral Edições, 1989.
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