Queridxs, na aula de hoje vamos continuar a famigerada introdução ao pensamento kantiano, para termos as ferramentas necessárias para entender o conceito de belo e o juízo de gosto da sua teoria estética, tão cara até hoje à crítica de arte. Conforme havia prometido, segue abaixo o esquema da aula que seguirei. E a partir da próxima semana, já podemos nos aventurar na leitura da obra "A crítica da faculdade de julgar".
1.
A pergunta certa: Como é possível
conhecer? – (o conceito
de transcendental em
Kant está intimamente ligado com a pergunta norteadora de toda
a C. R. Pura / o conhecimento que se ocupa com
o modo de conhecer
os objetos e não
tanto com
os próprios é designado como TRANSCENDENTAL
/ FILOSOFIA TRANSCENDENTAL
é o sistema de tais
conceitos)
2.
Coisa em si e Fenômeno – (A
partir do empirismo e do idealismo, Kant se dá conta
de que; se há princípios
ideais reguladores
da experiência e, simultaneamente, todo nosso conhecimento se origina na experiência;
jamais apreendemos as coisas em
si mesmas, mas
apenas o modo
como elas
se nos aparecem, a saber,
enquanto fenômenos que são
moldados pela nossa
estrutura de conhecimento)
3.
Faculdades do conhecimento – (determinam, estipulam as condições totais
de possibilidade do objeto)
– Sensação (caos,
onde não
há individuação / matéria bruta)
– Sensibilidade (opera com
as formas puras do espaço
e do tempo, organiza o caos)
– Imaginação (opera com
imagens puras)
– Entendimento (opera com
conceitos puros
ou categorias)
– Razão (opera com
as idéias de Deus,
liberdade e imortalidade
da alma)
4.
A razão só
compreende o que ela
mesma produz segundo
seu projeto
– (ela
produz as formas puras, tempo – espaço,
conceitos, categorias
/ somente nesta delimitação há mundo,
seu projeto
é ontológico, fora
disso não há significado,
nada existe para
homem)
5.
Conhecimentos a priori e a posteriori – (conhecimentos
absolutamente independentes
da experiência e conhecimentos
advindos dela / a experiência só fornece juízos
contingentes que
somente podem ser
universalizados por indução
– como bem
elucidou Hume / porém juízos dotados de universalidade e necessidade rigorosa
são possíveis,
a saber a
priori )
6.
Juízos analíticos e Juízos sintéticos
– (os primeiros não
acrescentam conhecimento, somente
elucidam uma união implícita
“torna consciente
o múltiplo que
penso no conceito
e encontro o predicado”,
sempre a priori/ os sintéticos
ampliam nosso conhecimento
a medida em
que unem duas coisas,
o predicado está fora
do sujeito lhe
sendo acrescentado)
7.
Juízos sintéticos a priori – (certas
coisas pensamos com
absoluta necessidade
mas não
lhes encontramos analiticamente dadas
ex: o conceito de causa
/ sabemos de antemão que todo efeito tem uma causa mas ele mesmo não nos apresenta isto,
trata-se de um juízo
sintético a priori / tais juízos
são importantes
a medida em
que constituem uma necessidade
que sintetiza fornecendo conhecimento)
8.
Estética Transcendental –
Sensibilidade: nossa
disposição de sermos afetados
pelos objetos
Intuição: modo
com nos
referimos ao objeto – uma representação que
precede a ação de pensar qualquer coisa, mas ela só representa o que
é posto na mente,
portanto, é a forma que
a mente é afetada
pela sua
própria atividade.
Sensação: efeito
de um objeto
sobre a capacidade
de representação (existem as que não são intuídas, mas
não nada
a conhecer)
Fenômeno: objeto
indeterminado de uma intuição
empírica (só
se determina no entendimento)
Matéria: o que
no fenômeno corresponde a sensação,
é dada a posteriori
Forma: ordena em
certas relações
o múltiplo do fenômeno,
tem que estar
disposta a priori e ser considerada separadamente
de toda a sensação
Representações
puras: aquelas em que nada se encontra
referente à sensação.
São as intuições
puras nas quais todo
múltiplo dos fenômenos
é intuído. É o que sobra
quando tiro
o que o entendimento
pensa do objeto
e o que a sensação
fornece como matéria
Formas
puras da intuição sensível: ESPAÇO
e TEMPO
9.
Espaço – (forma da intuição em sentido externo
/ todas as propriedades da coisa em sentido externo
somente podem ser
intuídas numa subsunção espacial / não é algo
tomado da experiência externa, ao contrário,
é sua condição
de possibilidade)
10. Tempo –
(forma da intuição em sentido externo e interno
/ intuir algo
numa sucessão ou
consecução temporal
só é possível
em função
da representação a priori do tempo / os fenômenos não
podem ser pensados sem
o tempo, mas
este independe daqueles)
11. Idealidade transcendental
– (Kant só fala da
idealidade do tempo, mas podemos as estender a toda estrutura
do sujeito transcendental
/ as formas puras da intuição
só existem em
nossas condições subjetivas, fora delas tempo
e espaço nada
são, não
tem correspondente nenhum
nas coisas em
si mesmas / logo,
ele não
possui realidade transcendental,
somente empírica,
ou seja, não
se trata de realidade
absoluta pois
para outro ente é possível
que a mudança
ocorra sem conformar-se a tempo e espaço)
12. Entendimento –
(liga o múltiplo
da intuição / trata-se de uma atividade
espontânea, quer
dela sejamos conscientes ou não
analítica
dos conceitos: decomposição da faculdade
do entendimento a fim
de investigar a possibilidade dos conceitos a
priori – tarefa específica
da filosofia transcendental
entendimento:
faculdade de produzir ela mesma representações
ou espontaneidade
do conhecimento – se refere ao objeto somente mediante a uma outra
representação deste, sendo intuição ou conceito
função: ação de unificar diversas representações
comuns que
fundam os conceitos
juízo: representação
da representação de um
objeto
categorias: conceitos
de um objeto
em geral
mediante os quais
a sua intuição
é considerada determinada no tocante a uma das funções
lógicas do juízo
– independentes da sensibilidade
mediante as quais
o entendimento acrescenta unidade as intuições
ligação: contém o conceito
de múltiplo e sua
síntese e o de unidade
– representação da unidade
sintética do múltiplo
13. Eu penso: apercepção originária
– (a unidade do múltiplo
não pode surgir
da ligação pois
esta a pressupõem igualmente, assim como as categorias / as ligações
não podem ser
“soltas” / elas
pressupõem uma unidade: o eu
penso que
deve poder acompanhar
todas as minhas representações
/ unidade transcendental
da consciência que
possibilita o conhecimento a priori / somente
posso me pensar
e não me
intuir visto
que só
conheço mediante intuições
empíricas e nunca intelectuais
/ tenho consciência que
sou mas não
como sou)
14. Transcendental: o modo pelo qual conhecemos
– (a consciência da possibilidade nos
referirmos de modo a priori aos objetos da experiência é o que
se denomina transcendental)