Impressões Elizias: Vazio, solidão e amor na cidade ....: ...
Para o pessoal da disciplina de arte e cultura, segue o ensaio sobre a relação entre o filme Medianeras e a obra de Atget que comentei com vocês hoje! Apenas para instigar a assistir o filme!
Aqui o link para ver o vídeo sobre "o fim de um mundo" pensado através da tragédia e Nietzsche! só para os curiosos....
http://www.cpflcultura.com.br/2009/01/30/o-fim-de-um-mundo/
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quarta-feira, 12 de março de 2014
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Arte e Cultura
Abaixo segue um trecho da Marilena Chauí, a escrita é simples pois foi pensado para alunos do ensino médio, mas nem por isso as reflexões deixam a desejar em importância. Ele nos ajudará a inaugurar as reflexões do curso Arte e Cultura (mas servirá também para os alunos de Estado e Sociedade, se bem se lembram de algumas questões que apareceram na nossa aula de ontem). Eis alguns conceitos que iremos discutir ao longo do semestre:
Natureza versus Cultura?
Cultura igual a Civilização?
Culto versus Inculto?
Arte simbolo da Cultura?
Arte reflexo da Cultura?
Arte separada da Cultura?
Capital cultural
Poder simbólico
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| Portinari - Café, 1944 |
Natureza versus Cultura?
Cultura igual a Civilização?
Culto versus Inculto?
Arte simbolo da Cultura?
Arte reflexo da Cultura?
Arte separada da Cultura?
Capital cultural
Poder simbólico
Natureza humana? - Marilena Chauí
É muito comum ouvirmos e dizermos frases do tipo: “chorar é próprio da natureza humana” e “homem não chora”. Ou então: “é da natureza humana ter medo do desconhecido” e “ela é corajosa, não tem medo de nada”. Também é comum a frase: “as mulheres são naturalmente frágeis e sensíveis, porque nasceram para a maternidade”, bem como esta outra: “fulana é uma desnaturada, pois não tem o menor amor aos filhos”.
Com freqüência ouvimos dizer: “os homens são fortes e racionais, feitos para o comando e a vida pública”, donde, como conseqüência, esta outra frase: “fulana nem parece mulher. Veja como se veste! Veja o emprego que arranjou!”. Não é raro escutarmos que os negros são indolentes por natureza, os pobres são
naturalmente violentos, os judeus são naturalmente avarentos, os árabes são naturalmente comerciantes espertos, os franceses são naturalmente interessados em sexo e os ingleses são, por natureza, fleumáticos.
Frases como essas, e muitas outras, pressupõem, por um lado, que existe uma natureza humana, a mesma em todos os tempos e lugares e, por outro lado, que existe uma diferença de natureza entre homens e mulheres, pobres e ricos, negros, índios, judeus, árabes, franceses ou ingleses. Haveria, assim, uma
natureza humana universal e uma natureza humana diferenciada por espécies, à maneira da diferença entre várias espécies de plantas ou de animais.
Em outras palavras, a Natureza teria feito o gênero humano universal e as espécies humanas particulares, de modo que certos sentimentos, comportamentos, idéias e valores são os mesmos para todo o gênero humano (são naturais para todos os humanos), enquanto outros seriam os mesmos apenas para cada espécie (ou raça, ou tipo, ou grupo), isto é, para uma espécie determinada. Dizer que alguma coisa é natural ou por natureza significa dizer que essa coisa existe necessária e universalmente como efeito de uma causa necessária e universal. Essa causa é a Natureza. Significa dizer, portanto, que tal coisa não depende da ação e intenção dos seres humanos. Assim como é da natureza dos corpos serem governados pela lei natural da gravitação universal, como é da natureza da água ser composta por H2O, ou como é da natureza da abelha
produzir mel e da roseira produzir rosas, também seria por natureza que os homens sentem, pensam e agem. A Natureza teria feito a natureza humana como gênero universal e a teria diversificado por espécies naturais (brancos, negros, índios, pobres, ricos, judeus, árabes, homens, mulheres, alemães, japoneses, chineses, etc.).
Que aconteceria com as frases que mencionamos acima se mostrássemos que algumas delas são contraditórias e que outras não correspondem aos fatos da realidade? Assim, por exemplo, dizer que “é natural chorar na tristeza” entra em contradição com a idéia de que “homem não chora”, pois, se isso fosse verdade, o homem teria que ser considerado algo que escapa das leis da Natureza, já que chorar é considerado natural. O mesmo acontece com a frase sobre o medo e a coragem: nelas é dito que o medo é natural, mas que uma certa pessoa é admirável porque não tem medo. Aqui, a contradição é ainda maior do que a anterior, uma vez que parecemos ter admiração por quem, misteriosamente, escapa da lei da Natureza, isto é, do medo.
Em certas sociedades, o sistema de alianças, que fundamenta as relações de parentesco sobre as quais a comunidade está organizada, exige que a criança seja levada, ao nascer, à irmã do pai, que deverá responsabilizar-se pela vida e educação da criança. Em outras, o sistema de parentesco exige que a criança seja entregue à irmã da mãe. Nos dois casos, a relação da criança é estabelecida com a tia por aliança e não com a mãe biológica. Se assim é, como fica a afirmação de que as mulheres amam naturalmente os seus filhos e que é desnaturada a mulher que não demonstrar esse amor?
Em certas sociedades, considera-se que a mulher é impura para lidar com a terra e com os alimentos. Por esse motivo, o cultivo da terra, a alimentação e a casa ficam sob os cuidados dos homens, cabendo às mulheres a guerra e o comando da comunidade. Se assim é, como fica a frase que afirma que o homem foi feito pela Natureza para o que exige força e coragem, para o comando e a guerra, enquanto a mulher foi feita pela Natureza para a maternidade, a casa, o trabalho doméstico, as atividades de um ser frágil e sensível?
Os historiadores brasileiros mostram que, por razões econômicas, a elite dominante do século XIX considerou mais lucrativo realizar a abolição da escravatura e substituir os escravos africanos pelos imigrantes europeus. Essa decisão fez com que o mercado de trabalho fosse ocupado pelos trabalhadores
brancos imigrantes e que a maioria dos escravos libertados ficasse no desemprego, sem habitação, sem alimentação e sem qualquer direito social, econômico e político. Em outras palavras, foram impedidos de trabalhar e foram mantidos sem direitos, tais como viviam quando estavam no cativeiro. Além disso, sabe-se que quando os colonizadores instituíram a escravidão e trouxeram os africanos para as terras da América, fizeram tal escolha por considerarem que os negros possuíam grande força física, grande capacidade de trabalho e muita inteligência para realizar tarefas com objetos técnicos como o engenho de açúcar. Se assim é, se a escravidão foi instituída por causa da grande capacidade e inteligência dos africanos para o trabalho da agricultura, se a abolição foi realizada por ser mais lucrativo o uso da mão-de-obra imigrante para um certo tipo de agricultura (o café) e para a indústria, como fica a afirmação de que a Natureza fez os africanos indolentes, preguiçosos e malandros?
Poderíamos examinar cada uma das frases que dizemos ou ouvimos em nosso cotidiano e que naturalizam os seres humanos, naturalizam comportamentos, idéias, valores, formas de viver e de agir. Veríamos como, em cada caso, os fatos desmentem tal naturalização. Veríamos como os seres humanos variam em conseqüência das condições sociais, econômicas, políticas, históricas em que vivem. Veríamos que somos seres cuja ação determina o modo de ser, agir e pensar e que a idéia de um gênero humano natural e de espécies humanas naturais não possui fundamento na realidade. Veríamos – graças às ciências humanas e à Filosofia – que a idéia de natureza humana como algo universal, intemporal e existente em si e por si mesma não se sustenta cientificamente, filosoficamente e empiricamente. Por quê? Porque os seres humanos são
culturais ou históricos. (CHAUÍ, M. Convite à Filosofia - p. 367-369)
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
O sublime na arte
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| Turner - Vapor numa tempestade de neve - 1842 |
"Turner teve também visões de um mundo fantástico, banhado de luz e resplendente de beleza; mas, em vez de calma, o seu era um mundo de movimento, em vez de harmonias simples, deslumbrante aparato. Reuniu em suas telas todos os efeitos que pudessem torná-las ainda mais impressionantes e dramáticas; e, tivesse sido um artista menor do que era, seu desejo de impressionar o público poderia muito bem ter tido um resultado desastroso. Entretanto, era um encenador tão soberbo, trabalhava com tamanha volúpia e habilidade que levava de vencida todas as dificuldades e os seus melhores quadros proporcionam-nos, de fato, uma concepção de grandiosidade da natureza em seus momentos mais românticos e sublimes. [...] Quase sentimos a arremetida do vento e o impacto das ondas. Não temos tempo de olhar os detalhes. Eles são tragados pela ofuscante luz e as sombras espessas da nuvem de tormenta. Ignoro se uma tempestade no ar tem realmente esse aspecto. Mas sei que é uma tormenta desse tipo assustador e empolgante que imaginamos ao ler um poema romântico ou escutar uma música romântica." (GOMBRICH, História da arte, p. 391-392)
"Terá Kant percebido, antes de Freud, que sublime é sublimação de um sofrimento escondido, recalcado, transfigurado pela consciência (a razão) e que permite que o 'inaprensentável' se torne momentaneamente 'apresentável'? De fato, não há de mais fugitivo do que o sentimento do sublime... No plano artístico, isto significa que a liberdade de invenção é formal é ela também infinita, sem regras, sem prescrições. Somente de nos depende usar essa liberdade e fixar seus limites. Somos, de algum modo, únicos donos do jogo" (JIMENEZ, O que é estética?, p. 144)
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Pinceladas entre Ponty e Magritte ...
Não
sei até que ponto a coleção da editora Civilização Brasileira sobre os artistas
é a melhor fonte de interpretação de obras disponível (ao menos é ótimo ter a
reprodução das imagens impressas), mas revisitando aquela dedicada ao
surrealista (ou quase-surrealista?!?) René Magritte, encontrei algumas
interpretações (explicações) de sua obra bem próximas (ao menos
conceitualmente) da definição merleau-pontyana de obra que pincelamos entender
em nosso primeiro encontro. Abaixo algumas citações sobre:
"Em meados dessa década [primeira do século
XX], Magritte decide renunciar à complacência da pintura tradicional com os
contrastes de cor e com as oposições de estilo para representar exatamente os
objetos segundo sua fria aparência. A coluna vertebral de sua obra assenta-se
sobre o achado de relações insuspeitas entre eles como fonte de efeitos
poéticos, fonte essa da qual nunca se afastará ao longo de sua carreira."
Deslocar
os objetos de seus locais habituais é para Magritte o recurso para gerar
efeitos poéticos sobre o cotidiano:
"'Em meus quadros, os objetos situam-se em
lugares onde nunca foram encontrados'. [...] Segundo suas próprias palavras,
deve-se fazer com que objetos familiares 'gritem', e para isto é necessário que
seja alterada a ordem de seus relacionamentos habituais"
Fazer
"pensar de uma maneira distinta do
habitual" seria a função da pintura na concepção de Magritte. Ele
"[...] concebia a pinutura como um
meio para revelar ideias e criar realidades cuja virtualidade não tem
confirmação possível na experiência do cotidiano."
Para
relembrar, vimos que em "A dúvida de Cézanne", Merleau-Ponty nos
propõe as seguintes definições:
“A arte não é uma imitação nem por outro
lado, uma fabricação segundo os votos do instinto e do bom gosto. É uma
operação de expressão”
“Cézanne, segundo suas próprias palavras:
escreve enquanto pintor o que ainda não foi pintado e o torna pintura de todo”
Artista:
“aquele que fixa e torna acessível aos
mais humanos dos homens o espetáculo de que participam sem perceber”
Obra: aquilo que nos permite “[...]
Esquecermos as aparências viscosas, equívocas e, através delas, vamos direto às
coisas que apresentam.”
“Um pintor como Cézanne, um artista, um
filósofo, devem não somente criar e exprimir uma ideia, mas ainda despertar a
experiências que vão enraizar em outras consciências”
Eu
sabia que aquela minha infame referência ao surrealismo como um possível
exemplo de definição de obra de arte merleau-pontyana não havia surgido do
nada! Em todo caso é um assunto muito "em aberto" para nós, afinal,
essa comparação me parece tão escancaradamente explícita que quase pode chegar
a ser ingênua e, ademais, nos deixa desconfortáveis em relação a outros
artistas e obras que não se definem conceitualmente dessa forma (pintura
conceitual é uma expressão usada no texto da coleção para se referir ao
trabalho de Magritte). A vermos...
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| A filosofia no Camarim, 1947 |
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| As relações perigosas |
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| Isto não é um cachimbo |
![]() |
| O tempo ameaçador, 1931-1932 |
Próxima aula: O texto do Marc Jimenez para a próxima aula já está disponível no xerox do CEART. O filme: "Moça com brinco de pérola" é um bom exemplo ficcional sobre a descrição que o autor nos fornece do surgimento dos conceitos de arte e de artista (bem como de um mercado da arte). Ele pode ser visto na íntegra on-line aqui!
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Estética e crítica de arte
Plano em construção
sete assuntos por segundo
Ut picutra, poesis....
Horácio
Parque que serve a pintura
a não ser quando apresenta
precisamente a procura
daquilo que mais aparenta,
quando ministra quarenta
enigmas vezes setenta?
(Paulo Leminski)
Ao se interpretar uma obra de arte, pelo
menos dois elementos fundamentais estão em jogo: a obra e o espectador. Para
que o segundo possa operar a reflexão interpretativa, supõe se já feito o
trabalho crítico de identificação de um objeto como obra. O que nos
permite, entretanto, dizer de um objeto que se trata de arte? E mais, quando
começa a surgir a arte como aquilo que pode ser julgada/criticada?
Segundo Jimenez, o “crítico” ou o “árbitro
das artes” é uma categoria que surge junto com a autonomia do artista, depois
que ele deixa de ser um mero artesão (idade média) e passa ser o gênio
proprietário da obra e do talento.
O nosso curso sobre Estética e Crítica de
Arte começará com a leitura da obra "O que é estética?", de Marc
Jimenez, para averiguarmos sua tese de quando a arte passa a ser um objeto
passível de crítica. Quero com isso, estabelecer com vocês o surgimento desse
tipo de posicionamento (a saber: o crítico) em relação ao objeto arte. (O texto e outros se encontra aqui)
O que constitui a crítica de arte? Para
além de determinar quando há e quando não há arte, ela também supõe em algum
momento alguma interpretação. A ideia é, portanto, depois desse primeiro
momento de identificação do surgimento da atividade crítica, analisar também a
definição de juízo de gosto e de belo de Kant, por se
tratar, certamente, de um cânon para muito do que se fala em estética e crítica
de arte contemporaneamente.
Posteriormente, poderemos, seguindo a
perspectiva fenomenológica, estudar os critérios elencados pelo filósofo
francês Maurice Merleau-Ponty em seu artigo A dúvida de Cézanne. Nele,
Merleau-Ponty faz, o que poderíamos chamar de uma interpretação da pintura e do
pintor, nos fornecendo elementos para identificar uma obra e um artista. Os
critérios aí elencados poderão ser comparados com os da teoria da
formatividade de Luigi Pareyson, que por seu turno, nos apresenta o que na
sua concepção significa ler, interpretar o que quis dizer uma obra,
uma vez que a classificamos com tal.
Por fim, algumas sugestões de leitura e
discussão deverão seguir o caminho de avaliar a contemporânea crise na crítica
de arte. Os textos ainda estão sendo coletados para esta tarefa.
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