
Nas primeiras seis páginas, Merleau-Ponty segue retomando o erro clássico que conduziu a reflexão filosófica na análise do sentir. Até aqui, nenhuma novidade, quer dizer, não que não seja importante, mas se trata do reforço a velha crítica de sempre, a ‘idealidade’ ou o ‘idealismo’ que guiaram a filosofia até então, a falta de abertura ao ambíguo, a utopia de uma explicação que esclarecesse pontualmente cada elemento envolvido no problema, e assim por diante... Entretanto, algumas coisas novas aparecem ainda neste trecho, falo de conseqüências.
Primeiro, a deserdação sofrida pelo ‘eu empírico’, ele é um conteúdo da experiência e ao mesmo tempo, um sujeito vazio que a constitui. Em segundo lugar, a compreensão, digamos, ‘político-social’ da humanidade, na filosofia clássica se pensa a sociedade como uma comunidade de espíritos racionais, contra isso, sabiamente o autor alega: “só se pode compreendê-la assim nos países favorecidos, em que o equilíbrio vital e econômico foi obtido localmente e por certo tempo.” E segue: “a experiência do caos, no plano especulativo assim como no outro, convida-nos a perceber o racionalismo em perspectiva histórica à qual ele pretendia por princípio escapar [...]” (2006, p.89) e por aí vai. D’onde o ato filosófico primeiro deverá ser o de admitir a ‘historicidade’ (por outro termo futuro: a ‘carnalidade’) da reflexão e de seu objeto, seja a razão ou a experiência. A conseqüência especulativa (que, a princípio, é a que deveria importar) seria a de uma investigação mais fiel (contradição estranha não? Eu acho, mas isto é um outro problema...) do sentir e do campo fenomenal onde ele se realiza.
Ponty reclama também uma nova visão do imediato. Na compreensão clássica ele é mudo, afinal o filósofo não consegue dar conta da sua vida no instante em que a vive sem ‘pensá-la’ e com isso deformá-la! Ele pretende então dar a isso (nossa vida, a experiência particular, etc...) uma expressão (nem falemos agora do quão perigoso é a via em que tal pretensão nos envereda...). O fenomenal, o imediato, foi esquecido na medida em que se tentou ‘quebrar o código’ que lhe daria acesso. Merleau-Ponty se esforça por lembrar, mas eis que surge uma afirmação estonteante: “a essência da consciência é esquecer seus próprios fenômenos e tornar assim possível a constituição das ‘coisas’” (2006, p. 92). Domina-me a vontade de divagar sobre isso, quanta coisa a se pensar contra e/ou com as reflexõespontyanas. Entretanto, agora é preciso me arrumar para ir ao encontro do grupo hoje, quem sabe ainda quantas coisas mais poderão surgir, uau!, é melhor eu parar por aqui mesmo...
Só queria contar uma coisinha, eu segui vertiginosamente a leitura do texto e apesar da tonteira posso assegurar que vi por lá qualquer coisa que apaziguará um pouco nossas inquietações em relação à bela percepção!
Piscadelas! :)
Primeiro, a deserdação sofrida pelo ‘eu empírico’, ele é um conteúdo da experiência e ao mesmo tempo, um sujeito vazio que a constitui. Em segundo lugar, a compreensão, digamos, ‘político-social’ da humanidade, na filosofia clássica se pensa a sociedade como uma comunidade de espíritos racionais, contra isso, sabiamente o autor alega: “só se pode compreendê-la assim nos países favorecidos, em que o equilíbrio vital e econômico foi obtido localmente e por certo tempo.” E segue: “a experiência do caos, no plano especulativo assim como no outro, convida-nos a perceber o racionalismo em perspectiva histórica à qual ele pretendia por princípio escapar [...]” (2006, p.89) e por aí vai. D’onde o ato filosófico primeiro deverá ser o de admitir a ‘historicidade’ (por outro termo futuro: a ‘carnalidade’) da reflexão e de seu objeto, seja a razão ou a experiência. A conseqüência especulativa (que, a princípio, é a que deveria importar) seria a de uma investigação mais fiel (contradição estranha não? Eu acho, mas isto é um outro problema...) do sentir e do campo fenomenal onde ele se realiza.
Ponty reclama também uma nova visão do imediato. Na compreensão clássica ele é mudo, afinal o filósofo não consegue dar conta da sua vida no instante em que a vive sem ‘pensá-la’ e com isso deformá-la! Ele pretende então dar a isso (nossa vida, a experiência particular, etc...) uma expressão (nem falemos agora do quão perigoso é a via em que tal pretensão nos envereda...). O fenomenal, o imediato, foi esquecido na medida em que se tentou ‘quebrar o código’ que lhe daria acesso. Merleau-Ponty se esforça por lembrar, mas eis que surge uma afirmação estonteante: “a essência da consciência é esquecer seus próprios fenômenos e tornar assim possível a constituição das ‘coisas’” (2006, p. 92). Domina-me a vontade de divagar sobre isso, quanta coisa a se pensar contra e/ou com as reflexõespontyanas. Entretanto, agora é preciso me arrumar para ir ao encontro do grupo hoje, quem sabe ainda quantas coisas mais poderão surgir, uau!, é melhor eu parar por aqui mesmo...
Só queria contar uma coisinha, eu segui vertiginosamente a leitura do texto e apesar da tonteira posso assegurar que vi por lá qualquer coisa que apaziguará um pouco nossas inquietações em relação à bela percepção!
Piscadelas! :)