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quinta-feira, 5 de junho de 2014

poeminha fenomenológico

meus amores, a fenomenologia em poema do pessoa...

O guardador de rebanhos
...                               

II - O Meu Olhar

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

sexta-feira, 21 de março de 2014

despalavras: conceitos versus imagens! (e avisos)

Queridxs todxs xs alunxs!

Só para lembrar que me ausentarei na próxima semana, então todas as aulas foram canceladas. Todas as turmas já foram avisadas e já têm atividades previstas. Na próxima semana retornaremos normalmente.

Para turma de Estética e Crítica de Arte, está confirmado nossa visita ao museu O mundo ovo de Eli Heil. Ademais, na sequência da discussão que encerrou a nossa aula, segue um poema de Manoel de Barros que me parece relacionar muito bem a tensão entre as imagens (eikones) e os conceitos (noetas). Essa tensão pode ser medida e/ou mediada pela poesia (tomada aqui enquanto poeisis, isto é, enquanto atividade poética, de fabricação). Se Manoel está certo, a arte (poesia) de criar imagens, ícones, ou refazer a imagem do mundo de um modo despreocupado com a unidade incondicionada e vazia do conceito. O que vocês acham disso? Algo para pensar na próxima semana, quando estudaremos com mais afinco o conceito de mímeses (sobre isso, dar uma olhada aqui também)



Despalavra - Manoel de Barros

Hoje eu atingi o reino das imagens, o reino da despalavra.
Daqui vem que todas as coisas podem ter qualidades humanas.
Daqui vem que todas as coisas podem ter qualidades de pássaros.
Daqui vem que todas as pedras podem ter qualidade de sapo.
Daqui vem que todos os poetas podem ter qualidades de árvore.
Daqui vem que os poetas podem arborizar os pássaros.
Daqui vem que todos os poetas podem humanizar as águas.
Daqui vem que os poetas devem aumentar o mundo com suas metáforas.
Que os poetas podem pré -coisas, pré-vermes, podem pré-musgos.
Daqui vem que os poetas podem comprender o mundo sem conceitos.
Que os poetas podem refazer o mundo por imagens, por eflúvios, por afeto.

sábado, 8 de março de 2014

A humanização pela arte e pela beleza! Um papo com Adélia..

Queridxs, esse vídeo da Adélia Prado que comentei com vocês! Ela fala lindamente, de um jeito poético e comovente sobre a universalidade do sentimento do belo e da impossibilidade de defini-lo. Da impossibilidade também de explicar o processo criativo. Ok, ela é uma poetisa, seu material são as palavras, mas vale para todos os tipos de arte e para toda comoção pelo belo, seja onde for! Kant não diria, jamais, o belo tão belamente! Bravo, assistam!



Abraços!