Plano em construção
sete assuntos por segundo
Ut picutra, poesis....
Horácio
Parque que serve a pintura
a não ser quando apresenta
precisamente a procura
daquilo que mais aparenta,
quando ministra quarenta
enigmas vezes setenta?
(Paulo Leminski)
Ao se interpretar uma obra de arte, pelo
menos dois elementos fundamentais estão em jogo: a obra e o espectador. Para
que o segundo possa operar a reflexão interpretativa, supõe se já feito o
trabalho crítico de identificação de um objeto como obra. O que nos
permite, entretanto, dizer de um objeto que se trata de arte? E mais, quando
começa a surgir a arte como aquilo que pode ser julgada/criticada?
Segundo Jimenez, o “crítico” ou o “árbitro
das artes” é uma categoria que surge junto com a autonomia do artista, depois
que ele deixa de ser um mero artesão (idade média) e passa ser o gênio
proprietário da obra e do talento.
O nosso curso sobre Estética e Crítica de
Arte começará com a leitura da obra "O que é estética?", de Marc
Jimenez, para averiguarmos sua tese de quando a arte passa a ser um objeto
passível de crítica. Quero com isso, estabelecer com vocês o surgimento desse
tipo de posicionamento (a saber: o crítico) em relação ao objeto arte. (O texto e outros se encontra aqui)
O que constitui a crítica de arte? Para
além de determinar quando há e quando não há arte, ela também supõe em algum
momento alguma interpretação. A ideia é, portanto, depois desse primeiro
momento de identificação do surgimento da atividade crítica, analisar também a
definição de juízo de gosto e de belo de Kant, por se
tratar, certamente, de um cânon para muito do que se fala em estética e crítica
de arte contemporaneamente.
Posteriormente, poderemos, seguindo a
perspectiva fenomenológica, estudar os critérios elencados pelo filósofo
francês Maurice Merleau-Ponty em seu artigo A dúvida de Cézanne. Nele,
Merleau-Ponty faz, o que poderíamos chamar de uma interpretação da pintura e do
pintor, nos fornecendo elementos para identificar uma obra e um artista. Os
critérios aí elencados poderão ser comparados com os da teoria da
formatividade de Luigi Pareyson, que por seu turno, nos apresenta o que na
sua concepção significa ler, interpretar o que quis dizer uma obra,
uma vez que a classificamos com tal.
Por fim, algumas sugestões de leitura e
discussão deverão seguir o caminho de avaliar a contemporânea crise na crítica
de arte. Os textos ainda estão sendo coletados para esta tarefa.
Que grata surpresa encontrar este texto dedicado aos alunos de Estética e Crítica de Arte! Que satisfação receber essa dedicação e entusiasmo devidamente sintonizados com seu tempo! Parabéns professora Elizia!
ResponderExcluirOlá queridx! Estou bem animada com o nosso curso, o tema é muito instigante e trocaremos bastante, tenho certeza! Abraços,
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