terça-feira, 3 de novembro de 2009

A percepção originária!

E não é que na milésima releitura do trecho (Atenção e juízo) encontrei finalmente uma pista! Trata-se da alegação pontyana (página 74) de que a percepção empírica é segunda e que ela mascara o fenômeno fundamental da percepção enquanto conhecimento originário. Ok, eu admito, novamente temos muito mais sobre o que a percepção não é, a saber, não podemos confundi-la, sob hipótese alguma, com a mera sensibilidade que nos fornece os objetos materiais de nossas experiências, a percepção está aí envolvida, mas não pode ser a isso reduzida. A historicidade desta percepção empírica lhe permite retomar conhecimentos antigos e com eles determinar os objetos. E por isso imediatamente os identificamos de acordo com um tipo geral. Entretanto, já temos algo positivo acerca de nossa busca sim, afinal, Ponty afirma também que este reconhecimento efetuado instantaneamente na experiência pressupõe que abaixo da significação atribuída se dê um espetáculo que é tão genial quanto o de uma criação, tão inovador como se fosse visto pela primeira vez. Noutra oportunidade, com mais calma, eu gostaria de falar sobre um certo esquecimento da percepção originária, ideia talvez ingênua que me ocorreu. Mas agora é momento para explorar o caráter originário da percepção. Talvez ele indique alguma resposta para o post anterior. Afinal, se a percepção de que fala Merleau-Ponty não pode ser confundida com a percepção empírica, pode ser mais fácil admiti-la como presente em todos os demais estratos de nossa vida, incluso aí o da lógica e o das ciências exatas. Do ponto de vista empírico, tudo o que é formal e/ou analítico desdenha da experiência. Entretanto, também conceitos desta ordem, cálculos, etc. são significações que antes de serem enquadradas em universalidades são apreendidas em função de algum sentido que tomam para nossa vida via investigação filosófica e/ou científica. O que quero dizer é que, do ponto de vista da percepção originária, todas as coisas, conceitos, vivências enfim, são experimentados, vivenciados, na sua individualidade, facticidade, todo enquadramento, mesmo o mais formal é posterior e ainda que universalmente válido pressupõe esse sentido particular pelo qual ele surge em algum momento específico.
Seria esta admissão a mais radical das reflexões? Quais são suas conseqüências para a investigação filosófica? Tal radicalidade não implicaria ser alvo da própria acusação?
Bien, estas são questões que me assolam, o que me obriga a admitir publicamente aquilo que muitos já sabem ou notaram, isto é, que me valho de nosso grupo e deste espaço virtual para compartilhar minha intimidade de pesquisadora que precisa, tanto quanto produzir uma tese posicionar-se sobre a própria filosofia (neste último caso, claro, por um problema pessoal, talvez alguma patologia, sabe-se lá)...

Queridos membros do grupo, oxalá nos encontremos quinta próxima, saudosos de nossos papos, infelizmente terei de sair um pouco mais cedo, mas nada que nos atrapalhe. A vocês e aos leitores deste agradeço a paciência de tanta ausência!

Piscadinhas ;)

3 comentários:

  1. A pessoa que teve a coragem de morder um alho pela primeira vez na humanidade merece nosso eterno respeito. Pena que não sabemos quem foi ou como foi. Por isso, curiosos do mundo, "mordam alhos" e relatem a experiência!! Eu mesmo tenho que dividir algumas coisas antes que me esqueça como foi..ainda bem que tenho filmado!

    www.myspace.com/petergossweiler

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  2. Oi Elizia,

    O blog Mosaicos do Sul oferece um mimo aos seus amigos e seguidores! Passe lá para pegar o seu!

    Abraço e boa semana,

    Claudia

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  3. Oi Elizia,

    Para pegar o selo basta clicar nele com o botão direito do seu mouse e copiá-lo para o seu computador. Depois, você vai no Layout de seu blog, e adiciona o selo como uma imagem, clicando sobre "adicionar novo gadget", assim como os membros do blog, o arquivo do blog que vc já tem ali. Ah, fique à vontade para oferecê-lo a quem quiser, ok?

    Sobre o que me trouxe ao blog, eu visito sempre os blogs dos meus seguidores ;-). Gostei muito do post sobre a percepção.

    Abraço,

    Claudia

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