terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
O conhecimento em Aristóteles
“Todos os homens tem por natureza o
desejo de conhecer [...] Por natureza seguramente os animais são dotados de
sensação, mas nuns da sensação não se gera a memória e noutros gera-se. Por
isto estes são mais inteligentes e mais aptos a aprender do que os que são
incapazes de recordar. Inteligentes pois, mas sem possibilidade de aprender são
todas os que não podem captar os sons, como as abelhas e outras espécies de
animais. Pelo contrário, têm faculdade
de aprender todos os seres que além de memória, são providos também deste
sentido. Os outros [animais] vivem portanto de imagens e recordações e de
experiência pouco possuem. Mas, a espécie humana [vive] também de artes e
raciocínios. É da memória que deriva aos homens a experiência: pois as
recordações repetidas de uma mesma coisa possuem o efeito de uma única
experiência , e a experiência quase se parece com a ciência e a arte. Na realidade porém, ciência e arte vêm aos
homens por intermédio da experiência, porque a experiência, como afirma polos, e bem, criou a arte, e a
inexperiência o acaso. E a arte aparece quando, de um complexo de noções
experimentadas, se exprime um único juízo universal dos casos semelhantes.
[...] E isto porque a experiência é um conhecimento de singulares e a arte, dos
universais; e, por outro lado, porque as operações e as gerações todas dizem
respeito ao singular. [....] No entanto, nós julgamos que há mais saber e
conhecimento na arte do que na experiência, e consideramos os homens de arte
mais sábios que os empíricos [...]. Isto porque uns conhecem as causas e os
outros não. Com efeito, os empíricos sabem o “quê”, mas não sabem o “porquê”;
ao passo que os outros sabem o “porquê” e a causa. Por isto nós pensamos que os
mestres-de-obras, em todas as coisas são mais apreciáveis e sabem mais que os
operários, pois conhecem as causas do que se faz, enquanto estes, à semelhança
de certos seres inanimados, agem, mas sem saberem o que fazem tal como o fogo
[quando] queima. Os seres inanimados executam, portanto, cada uma das suas
funções em virtude de uma certa natureza que lhes é própria, e os mestres pelo
hábito. Não são, portanto, mais sábios [os mestres] por terem aptidão prática,
mas pelo fato de possuírem a teoria e conhecerem as causas.” (ARISTÓTELES, A metafísica, Livro I)
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