A partir de amanhã tem início o "I Encontro Peri de Filosofia", organizado por alunos da gradução e da pós-gradução em Filosofia da UFSC. A programação completa do evento encontra-se no blog http://encontroperideflosofia.blogspot.com/. Dentre as várias atividades que ocorrerão está o mini-curso: "Husserl e a tradição fenomenológica" que eu juntamente com dois colegas de doutorado, o Luis Felipe e a Vanessa, nos propomos a ministrar. Abaixo segue o resumo:
"O mini-curso se baseará em dois eixos principais: primeiramente, tratará de temas gerais da fenomenologia iniciada por Edmund Husserl. O enfoque principal será dado aos conceitos de eu puro, intencionalidade, redução, essências e idealismo transcendental. Estes formam a estrutura conceitual geral da fenomenologia e, a partir deles, outros poderão ser introduzidos e explorados. Em segundo lugar, procurar-se-á traçar as linhas de aproximação e distanciamento entre as teses do precurssor da fenomenologia e a de seus herdeiros – salvo a brevidade necessária de tais lucubrações – entre os quais serão trabalhados Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre e Maurice Merleau-Ponty. A compreensão da ciência fenomenológica de Husserl é imprescindível aos estudos dos filósofos herdeiros de sua filosofia. Entretanto, apesar das infuências e referências ao fundador da fenomenologia, eles devem ser lidos como críticos de sua extensa obra."
Uma novidade: semana passada acordamos com mais um colega, Evandro O. Brito, doutorando da PUC-SP, uma intervenção que irá em muito somar com nossa proposta. Ele irá nos falar, no primeiro dia do mini-curso (terça-feira, 01/09/09), um pouco sobre a noção de intencionalidade em Franz Brentano, que é tão cara a fenomenologia de Husserl e também a de seus herdeiros por consenqüência.
TÓPICOS DO CURSO
ResponderExcluir1° dia
O que é a fenomenologia? Quais características dessa nova ciência? O fundamento da fenomenologia. O método da redução. Atitude natural, atitude transcendental e o idealismo.
O que é a consciência na fenomenologia? Crítica ao psicologismo. A transcendentalidade da consciência. Eu puro. O vivido intencional: diferença entre o vivido psicológico transcendente e vivido absoluto transcendental. Estrutura geral da consciência: a intencionalidade e a divisão noese e noema (vivido intencional e correlato). Material (húle) e intencional (morphé) da vivência. Os modos noéticos: percepção como presentação e presentificações: imaginação. Essência (Eidos ou Wesen) e fato. Intuição empírica e intuição de essências. O idealismo transcendental.
2° dia
Tomando o conceito de intencionalidade como ponto de partida e fio condutor das investigações fenomenológicas de Edmund Husserl e Martin Heidegger, intentaremos sua análise com a finalidade de explicitar o problema metodológico fundamental acerca do modo de abrir cientificamente a esfera dos vividos (Erlebnis) na fenomenologia. Para Husserl, a esfera dos vividos é a do ego puro ou consciência pura, e a intencionalidade é compreendida como intencionalidade da consciência; em Heidegger, trata-se do que denominou vida ou existência fáctica do ser-aí (Dasein), em que a intencionalidade designa o tipo de comportamento que a existência humana mantém em relação a si e para com o mundo. Neste confronto crítico entre as duas posições, salientaremos o modo fenomenológico de conceber o campo do formal e, em decorrência disto, a preocupação heideggeriana com as insuficiências da atitude teorética, cujo desdobramento imediato é uma investigação acerca da natureza e da formação dos conceitos e enunciados filosóficos.
3° dia
Breve exposição da obra Transcendência do ego. Ser no mundo: Je e Moi, irreflexão e reflexão. Crítica à Husserl: É necessário um Eu transcendental atrás de cada consciência? Comentários gerais sobre a obra "L'être et le neant". O que significa uma ontologia fenomenológica. O resgate do mundo. O monismo do fenômeno. Ser-em-si e ser-para-si. O nada e as negações. A fenomenologia das três dimensões temporais: passado, presente e futuro. O tempo psíquico e o tempo original.
Imaginação em Husserl: A novidade com a tradição. Atitude perceptiva e a imaginativa. Consciência de imagem e Fantasia. Temporalidade e imaginação. Conceito de presentificação: simples e neutralizada. Quasi-presença. Realidade imaginante e irrealidade da imagem. Intuição imaginária e preenchimento fantasmado. Imaginação em Sartre: A intencionalidade de Husserl. A imagem é uma consciência. Consciência imaginante-imaginária. A magia e liberdade da imaginação. A fuga do real: negação da opacidade do mundo. Imagens do sonho, signo e alucinação. Consequências estéticas: o idealismo da arte na fenomenologia de Husserl. A pintura não é falseamento do mundo. A fantasia criadora - liberdade e espontaneidade. Proximidade entre arte e matemática. A significação (sentido) na arte. Sartre: Toda arte se dá por imagem. Pintura e literatura. O belo fenomenológico.
4° dia
Leitura e discussão do prefácio à “Fenomenologia da Percepção” de Maurice Merleau-Ponty com o objetivo de averiguar o encaminhamento dado por este autor aos temas da redução fenomenológica e da atitude natural. Análise da sua proposta de um modelo autêntico de reflexão filosófica ciente de sua comunhão com um irrefletido e das definições de corpo e percepção daí derivadas.
Olá Borboleta! Adorei o blog! Infelizmente não pude comparecer ao último encontro, a semana foi muito curta para as longas atividades... mas no próximo minha presença está garantida! Gostaria de saber se tem algum material escrito sobre o trabalho apresentado por vocês. Fiquei muitíssimo interessada!!
ResponderExcluirAté quinta...
Beijo!
Borboleta ,o blog está dentro do que eu imaginava,muito bom ..estou acompanhando as leituras e na próxima semana estarei com o grupo reunido ,hoje não deu ,mas estou lendo o capitulo indicado e deliberando sobre os conflitos das recordações que o M.Ponty explicita na percepção...
ResponderExcluiraté quinta
toni.