quinta-feira, 16 de abril de 2015

A mão

Carlos Drummond de Andrade

Entre o cafezal e o sonho
o garoto pinta uma estrela dourada
na parede da capela,
e nada mais resiste à mão pintora.
A mão cresce e pinta
o que não é para ser pintado mas sofrido.
A mão está sempre compondo
módul-murmurando
o que escapou à fadiga da Criação
e revê ensaios de formas
e corrige o oblíquo pelo aéreo
e semeia margaridinhas de bem-querer no baú dos vencidos
A mão cresce mais e faz
do mundo-como-se-repete o mundo que telequeremos.
A mão sabe a cor da cor
e com ela veste o nu e o invisível.
Tudo tem explicação porque tudo tem (nova) cor.
Tudo existe porque foi pintado à feição de laranja mágica
não para aplacar a sede dos companheiros,
principalmente para aguçá-la
até o limite do sentimento da terra domícilio do homem.
Entre o sonho e o cafezal
entre guerra e paz
entre mártires, ofendidos,
músicos, jangadas, pandorgas,
entre os roceiros mecanizados de Israel,
a memória de Giotto e o aroma primeiro do Brasil
entre o amor e o ofício
eis que a mão decide:
Todos os meninos, ainda os mais desgraçados,
sejam vertiginosamente felizes
como feliz é o retrato
múltiplo verde-róseo em duas gerações
da criança que balança como flor no cosmo
e torna humilde, serviçal e doméstica a mão excedente
em seu poder de encantação.
Agora há uma verdade sem angústia
mesmo no estar-angustiado.
O que era dor é flor, conhecimento
plástico do mundo.
E por assim haver disposto o essencial,
deixando o resto aos doutores de Bizâncio,
bruscamente se cala
e voa para nunca-mais
a mão infinita
a mão-de-olhos-azuis de Candido Portinari.

A certeza de Portinari: elementos para discussão do estatuto da obra de arte em Merleau-Ponty

Querides,

Vou disponibilizar para vocês, no material na rede um texto meu, ainda em fase de construção, ele traz elementos que temos discutido em sala de aula e pode ser um material de suporte no estudo para a avaliação final. Abaixo o resumo:

A certeza de Portinari: elementos para discussão do estatuto da obra de arte em Merleau-Ponty

Ao defender, em La doute de Cézanne, a tese de que a pintura, como uma genuína forma de arte, é uma operação expressiva e que a obra de Cézanne é também constituída de algum modo por sua personalidade hesitante, Merleau-Ponty assume posicionamentos interessantes no campo da filosofia da arte. Tais posturas versam sobre disputas acerca da relação entre arte e mimeses e sobre o conceito de gênio. Entendendo como sendo a tarefa do pintor, do filósofo ou do poeta, a de trazer a tona algo até então não expresso, inusitado; muito peculiarmente, o filósofo francês lhes atribui uma função genuinamente criadora. Neste trabalho será explorado como essas posições merleau-pontyanas subvertem de alguma forma as concepções clássicas de uma maneira bastante generosa para com a arte, na medida em que ele a pensa fora dos parâmetros coercitivos políticos nos quais usualmente se calcou a estética (enquanto filosofia da arte). O viés escolhido para esta reflexão será o de análise da obra do pintor brasileiro Cândido Portinari. Ele foi eleito por várias questões que vão do encontro do mesmo com o impressionismo e as vanguardas francesas, do seu posicionamento importante no modernismo brasileiro, da tarefa social que sua pintura assume, até e de modo especial à sua certeza quanto ao seu métier. O pintor de Brodósqui não hesitou em realizar a encomenda do governo brasileiro – a obra Guerra e Paz – a ser ofertada a ONU, contrariando as recomendações médicas que o proibiam de pintar por sintomas de intoxicação pelas tintas. Diante desses elementos explorarei as concepções merleau-pontyanas tendo como pano de fundo a vida e a obra desse expoente artista brasileiro.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Narrativas Poéticas

Querides, está em cartaz no Palacete das Artes em Salvador a exposição Narrativas Poéticas, chequem aqui oh. Ela está super convidativa por várias motivos, é uma mostra de arte brasileira, com ênfase no movimento modernista, o espaço do museu conta com obras de Rodin (sobre quem falamos em sala de aula) e a proposta da exposição é justamente estabelecer uma reflexão entre pintura e poesia, entre imagem e linguagem, pois os quadros são intercalados por poemas (também de importantes poetas brasileiros, entre eles Paulo Leminski e Alice Ruiz), alguns escritos outros narrados. Ela nos convida a refletir sobre o entrelaçamento entre conceitos e imagens, algo deveras importante para gente! Também a curadoria da exposição cuidou de fazer a passagem do figurativo para o abstrato, de modo que podemos nos perguntar o que significa esse paulatino abandono do desenho (que vemos com Cézanne no texto de Merleau-Ponty)...

Não fosse tudo isso, ainda o texto do catálogo da exposição é muito elucidativo e conciso sobre a história da arte e dessa disputa das artes visuais em relação às artes poéticas que discutimos em aulas anteriores. Por isso o disponibilizo para vocês e recomendo vivamente a leitura! Deliciem-se! Ele está disponível no local de sempre, nosso material na rede!

Aproveito para avisar que disponibilizarei o horário de quarta-feira das 17h às 18h para atendimento, dúvidas, conversas! Não hesitem em me procurar!

Abraços,


Di Cavalcanti - Samba

Cândido Portinari - Cafezal

Cândido Portinari - Mestiça

Manabu Mabe - Ventos Vermelhos

Manabu Mabe - Último auto-retrato






sexta-feira, 3 de abril de 2015

A arte e o mundo percebido

Querides,

Já está disponível o artigo de Merleau-Ponty "A arte e o mundo percebido" aqui oh, tá na mão, tá fácil é só aproveitar a páscoa para ler! ;)

Tivemos algumas alterações nos nossos calendários, atentem, todas as turmas, para a mudança do esquema nas próximas provas!

Abraços,

TURMA TERÇA-FEIRA
DATA
TEMA
REFERÊNCIAS
24/02
Apresentação do plano de ensino e discussão sobre o conceito de arte.

03/03
UNIDADE 1
A República – Platão
10/03
UNIDADE 1
A República – Platão
17/03
AVALIAÇÃO 1
---------------------------------
24/03
UNIDADE 2
A Dúvida de Cézanne – Merleau-Ponty
31/03
UNIDADE 2
A Dúvida de Cézanne – Merleau-Ponty
07/04
UNIDADE 2
A arte e o mundo percebido – Merleau-Ponty
14/04
UNIDADE 3
Poesia: a paixão da linguagem – Leminski
21/04
FERIADO
-------------------------------------
28/04
UNIDADE 3
Ensaios e anseios crípticos – Leminski
05/05
AVALIAÇÃO Unidades 2 e 3
---------------------------------------
12/05
EXAME FINAL



TURMA QUARTA-FEIRA
DATA
TEMA
REFERÊNCIAS
25/02
Apresentação do plano de ensino e discussão sobre o conceito de arte.

04/03
UNIDADE 1
A República – Platão
11/03
UNIDADE 1
A República – Platão
18/03
Não teve aula
---------------------------------
25/03
AVALIAÇÃO 1
A República – Platão
01/04
UNIDADE 2
A arte e o mundo percebido – Merleau-Ponty
08/04
UNIDADE 2
A Dúvida de Cézanne – Merleau-Ponty
15/04
UNIDADE 2
A Dúvida de Cézanne – Merleau-Ponty
22/04
UNIDADE 3
Poesia: a paixão da linguagem – Leminski
29/04
UNIDADE 3
Ensaios e anseios crípticos – Leminski
06/05
AVALIAÇÃO Unidades 2 e 3
-------------------------------------
13/05
EXAME FINAL





TURMA QUINTA-FEIRA

DATA
TEMA
REFERÊNCIAS
26/02
Apresentação do plano de ensino e discussão sobre o conceito de arte.

05/03
UNIDADE 1
A República – Platão
12/03
UNIDADE 1
A República – Platão
19/03
AVALIAÇÃO 1
A República – Platão
26/03
UNIDADE 2
A arte e o mundo percebido – Merleau-Ponty
02/04
Ponto facultativo
----------------------------------
09/04
UNIDADE 2
A Dúvida de Cézanne – Merleau-Ponty
16/04
UNIDADE 2
A Dúvida de Cézanne – Merleau-Ponty
23/04
UNIDADE 3
Poesia: a paixão da linguagem – Leminski
30/04
UNIDADE 3
Ensaios e anseios crípticos – Leminski
07/05
AVALIAÇÃO Unidades 2 e 3
----------------------------------
14/05
EXAME FINAL