quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Eli Heil - criadora e criatura

http://vimeo.com/41516492

avisos importantes II

Bom dia! Novamente queridxs, quero lembrá-lxs que semana que vem (de 27 à 31/10), não teremos aula, em nenhum dos cursos, pois estarei num congresso a semana toda.

Ademais, quero agendar a apresentação dos trabalhos das duas turmas para um dia só, terça-feira, dia 18/11. Assim, vocês me entregam o trabalho escrito durante a semana de Humanidades e Letras (04 a 07/11) e se preparam para apresentá-lo dia 18. certo?

Para os alunos de arte contemporânea, nosso próximo texto e tema será o movimento modernista no Brasil, com ênfase na obra de Cândido Portinari, o texto a ser lido é um pequeno artigo da professora Cherem intitulado "Contaminações e desvios nas pinturas da América Latina", que versa sobre a formação da arte latina na amálgama das influências europeias e das condições especiais dos países latino-americanos. O texto já está na pasta do blog e na pasta da Portal Informática.

Vou falar sobre Portinari no encontro do GT de "Geofilosofia e Performances do pensamento" que ocorrerá durante a I Semana de Humanidades e Letras, então vocês estão convidadxs a assistir para já  adiantarmos os temas da nossa discussão.

Até mais!

Aqui um vídeo sobre uma das obras mais importantes desse artista.

Café - Portinari

Las manos del terror - Guayasanin


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

avisos importantes!

Querid@s,

Quero lembrá-l@s que, semana que vem, as aulas de Arte Contemporânea e Estudos de Estética do Teatro serão invertidas. Isto é, a aula de Estudos de Estética do Teatro será terça-feira, dia 21/10, com a aula aberta ministrada pela Evani e aula de Arte contemporânea será na quinta-feira.

Tod@s estão convidados para a atividade de terça e será passada uma lista de chamada para oferecer certificado aos presentes. Será uma linda oportunidade de discutir as questões pertinentes as noções de estética contemporaneamente pensadas nos seus desdobramentos no teatro e na noção de ator, considerando especificamente @ at@r negr@ no Brasil. Não percam!

Aos alunos de Estética do Teatro, será cobrado um relatório dessa atividade, aproveito para avisar também que o próximo texto a ser debatido é "O teatro e seu duplo" de Antonin Artaud, no blog e no xerox Portal.



terça-feira, 14 de outubro de 2014

Arte contemporânea - relatório trabalho

Querid@s,

Na aula da semana passada (07/10) assistimos ao filme "O poder da arte - Van Gogh", documentário da BBC, solicitei aos presentes que fizessem um relatório do filme, levando em conta o texto do Gombrich sobre o mesmo artista, no capítulo "26. Em busca de novos padrões". Considerem as rupturas propostas por essa geração de artistas em relação a tradição que resultou no renascentismo.

Vale nota! Não deixem a atividade acumular!

O filme pode ser visto on-line aqui: https://www.youtube.com/watch?v=EGfgLMg36Yc

Abraços!

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Estudos de estética do Teatro

Avisos:

  • Semana passada foi solicitada a atividade de leitura de alguns trechos da "Poética" e o reconhecimento das partes da tragédia na concepção de Aristóteles, esse levantamento deve ser entregue por escrito e contará como parte da avaliação.
  • A aula de hoje será sobre Nietzsche e o teatro antigo e o texto que deverá ser lido é "A visão dionísica de mundo" (conferência que pode ser encontrada nas pp. 53 à 77 do pdf de mesmo nome). O material já foi enviado para a pasta na Portal informática e também está disponível no link material na rede.

Vista de antigo teatro na Grécia - Antiga cidade de Epidauro (360-350 a.C.).

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

UNILAB - avaliação

Querid@s alun@s dos cursos de "Arte contemporânea" e "Estudos de estética do Teatro" da UNILAB!

Na primeira postagem que faço especialmente para vocês quero falar das avaliações:

ARTE CONTEMPORÂNEA:

Avaliação principal: texto em forma de artigo, análise e/ou comentário acerca de uma obra, artista, movimento escolhido pelos alunos. O artigo deverá ser entregue em forma impressa até o dia 04/11 e posteriormente apresentado numa roda de discussão com a turma que será aberta a comunidade da Unilab. O texto e sua apresentação comporão a primeira nota a ser avaliada.

Avaliações secundárias: serão solicitadas ao longo do trimestre relatórios de leituras e/ou visitas a serem agendadas que juntas, comporão a segunda nota a ser avaliada.

A nota final será obtida da média aritmética das duas notas.

ESTUDOS DE ESTÉTICA DO TEATRO:

Avaliação principal: artigo sobre o texto "Otelo" de Shakespeare a ser entregue até dia 06/11 e a ser apresentado numa roda de conversa sobre "As controvérsias raciais em Otelo".

Avaliações secundárias: serão solicitadas ao longo do trimestre relatórios de leituras e/ou visitas a serem agendadas que juntas, comporão a segunda nota a ser avaliada.


Qualquer dúvida me contatem!

;)




quinta-feira, 5 de junho de 2014

poeminha fenomenológico

meus amores, a fenomenologia em poema do pessoa...

O guardador de rebanhos
...                               

II - O Meu Olhar

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Kant e a antinomia do juízo de gosto


Esse é o ponto fundamental da estética kantiana, o fato do que o juízo de gosto não pode ser enquadrado

em coerções objetivas, normas cognitivas, tampouco pode ser considerado um tema de ordem privada (tal como é o agradável). Tal é o tema explicado de forma bastante clara pelo professor Pedro Costa Rego, abaixo segue os links para sua palestra a esse respeito, deixo aqui para vocês!

http://youtu.be/l8AaPND8NAA

http://youtu.be/QV6nYy2XHD0


Abaixo notas sobre a conclusão de Kant ao fazer sua "Analítica do belo"

Observação geral sobre a primeira seção da analítica
§ Gosto: Faculdade de ajuizamento de um objeto em referência à livre conformidade a leis da faculdade da imaginação;
§ Neste caso a imaginação é produtiva e espontânea, autora de formas arbitrárias de intuições possíveis;
§ Ela é conforme a leis, só o entendimento fornece leis, mas o acordo entre imaginação e entendimento é subjetivo sem concordância objetiva, pois se trata de uma conformidade a leis sem lei;
§ Juízo de gosto puro: liga imediatamente e sem consideração do uso ou de um fim complacência ou descomplacência à simples contemplação do objeto;
§ A conformidade a regras que determina é um fim com respeito ao conhecimento, mas isso não é entretenimento livre e indeterminadamente conforme a um fim no qual é a faculdade de entendimento que está a serviço da faculdade de imaginação e não o contrário;

Só onde não se encontra uma intenção pode haver o jogo livre das faculdades de representação, onde a coerção (do entendimento) é maximamente evitada, a liberdade da faculdade de imaginar é impulsionada e o gosto pode mostrar sua máxima perfeição em projetos desta faculdade.


Abraços!

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O museu é a historicidade da morte...

esse e outras temas são abordados pelo o artigo do professor Furlan "Arte, linguagem e expressão na filosofia de Merleau-Ponty". O texto está realmente muito bom, trabalha com questões centrais para nossa disciplina de Arte e Cultura. Relaciona a concepção da arte em Merleau-Ponty com a situação cultural em que ela nasce, sua relação com a gestualidade do artista, retirando a discussão do paradigma da mimesis, mas sem a colocar numa idealidade ou idealismo de um dever do gênio instaurador de cultura. Enfim, finalmente lembrei de disponibilizá-lo para vocês, assim como disponibilizar a obra "Fenomenologia da percepção", para quem tiver interesse!

Abraços

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Kant e Platão

Queridxs,

Está disponível no link material na rede, pasta de Estética, duas versões da "Crítica da Faculdade do Juízo" do Kant, uma em inglês (não conheço a tradução) outra em português que é uma versão da tradução do Valério Rodhen, que é a que costumo usar. A edição está ruim, mas ajuda quem não quiser fazer cópia do livro, pois as aulas se basearão na introdução e na primeira parte: Crítica da Faculdade do Juízo Estética. No marcador Kant vocês encontram postagens antigas com esquemas das aulas de introdução ao pensamento kantiano (via conceito do transcendental) e de sua teoria estética.

Por fim, para quem perdeu, abaixo o vídeo de Saramago falando sobre a atualidade do mito da caverna de Platão. Uma discussão muito interessante pode ser estabelecida entre imagem e ideia a partir desta proposta interpretativa. Lembrando que a questão da mímesis na arte se enquadra justamente nesta discussão, do descomprometimento da arte com a verdade da ideia  e de sua potência do fingimento via imagem!


Abraços!

sexta-feira, 21 de março de 2014

despalavras: conceitos versus imagens! (e avisos)

Queridxs todxs xs alunxs!

Só para lembrar que me ausentarei na próxima semana, então todas as aulas foram canceladas. Todas as turmas já foram avisadas e já têm atividades previstas. Na próxima semana retornaremos normalmente.

Para turma de Estética e Crítica de Arte, está confirmado nossa visita ao museu O mundo ovo de Eli Heil. Ademais, na sequência da discussão que encerrou a nossa aula, segue um poema de Manoel de Barros que me parece relacionar muito bem a tensão entre as imagens (eikones) e os conceitos (noetas). Essa tensão pode ser medida e/ou mediada pela poesia (tomada aqui enquanto poeisis, isto é, enquanto atividade poética, de fabricação). Se Manoel está certo, a arte (poesia) de criar imagens, ícones, ou refazer a imagem do mundo de um modo despreocupado com a unidade incondicionada e vazia do conceito. O que vocês acham disso? Algo para pensar na próxima semana, quando estudaremos com mais afinco o conceito de mímeses (sobre isso, dar uma olhada aqui também)



Despalavra - Manoel de Barros

Hoje eu atingi o reino das imagens, o reino da despalavra.
Daqui vem que todas as coisas podem ter qualidades humanas.
Daqui vem que todas as coisas podem ter qualidades de pássaros.
Daqui vem que todas as pedras podem ter qualidade de sapo.
Daqui vem que todos os poetas podem ter qualidades de árvore.
Daqui vem que os poetas podem arborizar os pássaros.
Daqui vem que todos os poetas podem humanizar as águas.
Daqui vem que os poetas devem aumentar o mundo com suas metáforas.
Que os poetas podem pré -coisas, pré-vermes, podem pré-musgos.
Daqui vem que os poetas podem comprender o mundo sem conceitos.
Que os poetas podem refazer o mundo por imagens, por eflúvios, por afeto.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Impressões Elizias: Vazio, solidão e amor na cidade ....

Impressões Elizias: Vazio, solidão e amor na cidade ....: ...

Para o pessoal da disciplina de arte e cultura, segue o ensaio sobre a relação entre o filme Medianeras e a obra de Atget que comentei com vocês hoje! Apenas para instigar a assistir o filme!

Aqui o link para ver o vídeo sobre "o fim de um mundo" pensado através da tragédia e Nietzsche! só para os curiosos....
http://www.cpflcultura.com.br/2009/01/30/o-fim-de-um-mundo/

sábado, 8 de março de 2014

A humanização pela arte e pela beleza! Um papo com Adélia..

Queridxs, esse vídeo da Adélia Prado que comentei com vocês! Ela fala lindamente, de um jeito poético e comovente sobre a universalidade do sentimento do belo e da impossibilidade de defini-lo. Da impossibilidade também de explicar o processo criativo. Ok, ela é uma poetisa, seu material são as palavras, mas vale para todos os tipos de arte e para toda comoção pelo belo, seja onde for! Kant não diria, jamais, o belo tão belamente! Bravo, assistam!



Abraços!

sábado, 1 de março de 2014

Arte e cultura - Agora é que são elas!

Povo, para nossa discussão semestral creio cada vez mais que a obra do Leminski "Agora é que são elas" vai ser um excelente ponto de intersecção. Ele trata muito bem desse sujeito fragmentado da pós-modernidade (que é muito importante para compreender a questão das identidades culturais em Hall), e também dessa construção da identidade que não é mais fornecida pela autonomia subjetiva. Por isso, gostaria de incluí-lo entre as nossas referências básicas. O texto já pode ser consultado aqui. Abaixo deixo o trecho de um artigo em que estou trabalhando, sobre a relação desse texto com o pensamento de Merleau-Ponty:

[...]
Merleau-Ponty visa superar a dicotomia entre o “natural” e o “cultural”. Para ele, só haveriam signos naturais se pudéssemos falar em “estados de consciência” aos quais a organização anatômica de nosso corpo, fizesse corresponder gestos definidos. Isso, entretanto, não existe e os gestos emocionais variam de cultura para cultura, a diferença das mímicas para expressar os sentimentos corresponde a uma diferença das emoções, não só o gesto, mas também o modo de acolher a situação é diferente. Trata-se do modo como se faz uso do corpo, que pode até ser da mesma estrutura, mas, não quer dizer que no equipamento psicofisiológico haja uma natureza humana dada, como ocorre no mundo dos instintos. Para Merleau-Ponty, o uso que o homem fará de seu corpo transcende o corpo enquanto ser simplesmente biológico. Os sentimentos e suas condutas são tão inventados quanto as palavras. Não dá para sobrepor no homem, comportamentos “naturais” e um mundo cultural fabricado, já que, nele, tudo é natural e tudo é fabricado, toda palavra e conduta devem algo ao ser biológico e desvia às condutas vitais de sua direção.

[...]
De um modo geral, suas obras em poesia ou em prosa abraçam o desafio posto à literatura a ponto de vir se tornar um estilo de transgressão violenta quanto ao próprio uso da linguagem. É o que ganha evidência, em especial, um de seus mais importantes e expressivos trabalhos, o romance Agora é que são elas. Neste parece ser possível encontrar até mesmo aquela dublagem aludida por Merleau-Ponty entre a fala falada/fala falante. Com efeito, já na contracapa, a obra declara tratar-se de “Ficção, re-ficção, uma história que desvenda o processo de todas as histórias, AGORA É QUE SÃO ELAS, uma novela com começo, meio e fim (não necessariamente nessa ordem, é claro).” Isso porque, justamente, um dos seus personagens, o Dr. Propp, a certa altura declara ter descoberto

[...] que todas as histórias, no fundo, constituem UMA SÓ HISTÓRIA. E [que] aplicou-se a descobrir a cadeia de constantes, a lei lógica e matemática que rege a geração dos enredos, o vertiginoso movimento das constelações que constituem uma intriga. Todo entrecho, para ele, reduz-se à combinação de algumas funções básicas [...] (LEMINSKI, 1984, p. 12).

O que essa passagem mostra é o quanto a expressão literária de tendência da fala falada recai no esquema em que é reconhecida e acolhida como uma “verdade”, em virtude da ilusão de que sempre foi assim. É como se o momento linguageiro de instauração de sentido fosse cristalizado e permanecesse retido, de modo a atuar no presente como uma espécie de fundo desde onde os sujeitos operam. E é por isso que o narrador da obra, seu paciente, pode declarar: “Era confortador. E era apavorante. Gostoso saber que você pertencia a uma lógica maior que você, um fundo contra o qual tua figura se projetava. Mas eu me cagava de medo de saber que viver, então, era só isso, e assim, e não de outra forma.” (LEMINSKI, 1984, p. 13). Assim, é somente num momento em que se viola esse sentido instituído, re-significando por meio de uma operação linguageira o sentido dos gestos, dos comportamentos, das falas é que a cultura se projeta em direção a novas tendências. Ou seja, a o mundo cultural é incorporado por novos comportamentos, novos valores que, todavia, logo recairão no esquema das funções do Dr. Propp. O que este primeiro insight visa, enfim, é, mais uma vez, um registro do quanto a literatura de Leminski revive aquele movimento expressivo da linguagem[1] retratado por Merleau-Ponty entre a fala falante e fala falada.
[...]
Num outro trecho anterior da obra, Leminski também já expressara intensamente o drama de que o “real”, isto é, a objetividade na qual se insere nosso corpo material impõe a nossa existência naquilo que o dr. Propp, analista do personagem narrador, entendia como cura: “Propp não. Ele era médico. Queria curar. Quer dizer, dizer NÃO ao real, que quer a doença. Não à inexorável lógica última e suprema de todas as coisas e de todos os processos, aquela coisa que quer que a pedra caia quando jogada pra cima, o que quer que seja que quer que as flores nasçam na primavera e no inverno a gente tenha que usar cinco (ímpar!) roupas sobre o peito” (LEMINSKI, 1984, p. 12). O que se descobrirá na sequência do texto, e que também o narrador leminskiano descobre num dado momento, é que mesmo o “real” é, em verdade, uma apropriação linguística , isto é, uma expressão que retoma o mundo e o corpo desde a fala enquanto um comportamento.



[1] Na publicação de Causeries (coletânia de conferências encomendadas pela Rádio Nacional Francesa e transmitidas pela Rede Programa Nacional de Radiodifusão Francesa, em 1948), Merleau-Ponty diz que na literatura, a tarefa do poeta (apoiando-se em Mallarmé) é “[...] substituir a designação corrente das coisas, que as dá como ‘bem conhecidas’, por um gênero de expressão que nos descreve a estrutura essencial da coisa e nos força assim a entrar nela” (MERLEAU-PONTY, 2002, p. 59), afirma ainda que “um romance bem-sucedido existe não como soma de ideias ou de teses, mas à maneira de uma coisa sensível e como uma coisa em movimento que se trata de perceber em seu desenvolvimento temporal, cujo ritmo se trata de associarmos e que deixa na lembrança não um conjunto de ideias, mas antes o emblema e o monograma dessas ideias” (Idem, op.cit., p. 60-61).


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Estética e filosofia da Arte - O conceito de mímesis em Platão

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração
(Fernando Pessoa)

Queridxs, nas próximas aulas trabalharemos o conceito de mímesis em Platão. Segundo Cláudia Drucker*, Platão foi o primeiro filósofo da arte, por ter sido "[...] o primeiro a traçar uma distinção nítida entre a arte no sentido de 'ofício' (téchne) e arte (mímesis) no sentido em que falamos das belas-artes, dando a cada uma sua definição. Platão define as belas-artes como instâncias da imitação e como o inverso do verdadeiro saber." (p. 35)
A mimesis está submetida ao mundo sensível como sua cópia, seu simulacro, não constituindo portanto um conhecimento verdadeiro nem uma techne. Na polis ideal da “República” de Platão, a mimesis passa a ser julgada em função da transcendência efetivamente real das idéias. Trata-se de uma engenhosa e rigorosa fundamentação ontológica, na qual a arte, a fim de ganhar o direito de permanecer entre os cidadãos, deverá abrir mão de seu caráter polimorfo, assumir a finalidade de educar e assim, tornar-se uma techne.
Podemos suspeitar então, de que é assim que surge um dos primeiros pensamentos acerca da arte (estética) e quiça os primórdios da crítica de arte. Que a submete a censura, é verdade e sequer põe em causa sua autonomia, ou a do artista, mas que, a partir do triângulo: obra, arte e crítico que estamos trabalhando, oferece pela primeira vez o elo de ligação entre eles, a saber, o pensamento acerca da beleza e/ou acerca da finalidade da obra.
No caso da pintura e/ou da escultura eis como Platão a enquadra:
"No começo do livro final da República, Sócrates compara três tipos de criadores: o demiurgo divino, o marceneiro e o pintor. Tomemos por exemplo uma cama para explicar as diferenças entre a atividade de cada um. Há uma cama por si mesma, criada pelo demiurgo, em referência à qual toda a multiplicidade de camas é nomeada. É a Forma da cama. Ela não tem nem tamanho e nem figura definidos, não pode ser feita de nenhum material em particular, nem pertence a nenhum período ou estilo particular da história do mobiliário. Ela não pode ter nenhum traço visível, pois isto a tornaria novamente algo singular. A Forma da cama se define por oposição aos indivíduos e nunca se identifica com indivíduo nenhum, preservando sua universalidade deste modo, bem como sua heterogeneidade diante do sensível. Se ela tivesse qualquer característica individualizante, seria necessário que Deus criasse ainda uma outra, mais universal ainda e acima dela. Quando um marceneiro (o technítes, artesão) planeja fabricar uma cama, ele precisa concentrar-se sobre essa cama realíssima e esforçar-se com o auxílio do cálculo para fabricar uma cama que seja adequada ao uso. Pensemos agora na relação do artista com a cama. O pintor que apenas pinta a cama fabricada pelo marceneiro está duplamente distante da Forma da cama, ou cama em si, ou cama ideal. Como o pintor imita a cama do marceneiro, que já está a dois passos afastado da cama em si, ele se afasta três passos da cama em si: “aquele que está três graus afastado da natureza chama ‘imitador’” (Rep. 597e). (Lembremos que o grego antigo não conta a partir do zero, mas a partir do um, antes de o Ocidente introduzir o zero na aritmética.). Assim, as belas-artes, isto é, as imitações encontram-se “a uma distância de três graus da verdade” (Rep. 602c). As imitações são cópias de cópias de coisas verdadeiras." (DRUCKER, p. 38-39)

* No link com material da nossa disciplina encontra-se o livro de Estética elaborado por professora para os alunos do curso de licenciatura em filosofia à distância da UFSC.

Referência:
DRUCKER, Claudia Pellegrini. Estética. Florianópolis : FILOSOFIA/EAD/ UFSC, 2009.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Arte e Cultura

Abaixo segue um trecho da Marilena Chauí, a escrita é simples pois foi pensado para alunos do ensino médio, mas nem por isso as reflexões deixam a desejar em importância. Ele nos ajudará a inaugurar as reflexões do curso Arte e Cultura (mas servirá também para os alunos de Estado e Sociedade, se bem se lembram de algumas questões que apareceram na nossa aula de ontem). Eis alguns conceitos que iremos discutir ao longo do semestre:
Portinari - Café, 1944

Natureza versus Cultura?
Cultura igual a Civilização?
Culto versus Inculto?
Arte simbolo da Cultura?
Arte reflexo da Cultura?
Arte separada da Cultura?
Capital cultural
Poder simbólico



Natureza humana? - Marilena Chauí

É muito comum ouvirmos e dizermos frases do tipo: “chorar é próprio da natureza humana” e “homem não chora”. Ou então: “é da natureza humana ter medo do desconhecido” e “ela é corajosa, não tem medo de nada”. Também é comum a frase: “as mulheres são naturalmente frágeis e sensíveis, porque nasceram para a maternidade”, bem como esta outra: “fulana é uma desnaturada, pois não tem o menor amor aos filhos”.
Com freqüência ouvimos dizer: “os homens são fortes e racionais, feitos para o comando e a vida pública”, donde, como conseqüência, esta outra frase: “fulana nem parece mulher. Veja como se veste! Veja o emprego que arranjou!”. Não é raro escutarmos que os negros são indolentes por natureza, os pobres são
naturalmente violentos, os judeus são naturalmente avarentos, os árabes são naturalmente comerciantes espertos, os franceses são naturalmente interessados em sexo e os ingleses são, por natureza, fleumáticos.
Frases como essas, e muitas outras, pressupõem, por um lado, que existe uma natureza humana, a mesma em todos os tempos e lugares e, por outro lado, que existe uma diferença de natureza entre homens e mulheres, pobres e ricos, negros, índios, judeus, árabes, franceses ou ingleses. Haveria, assim, uma
natureza humana universal e uma natureza humana diferenciada por espécies, à maneira da diferença entre várias espécies de plantas ou de animais. 
Em outras palavras, a Natureza teria feito o gênero humano universal e as espécies humanas particulares, de modo que certos sentimentos, comportamentos, idéias e valores são os mesmos para todo o gênero humano (são naturais para todos os humanos), enquanto outros seriam os mesmos apenas para cada espécie (ou raça, ou tipo, ou grupo), isto é, para uma espécie determinada. Dizer que alguma coisa é natural ou por natureza significa dizer que essa coisa existe necessária e universalmente como efeito de uma causa necessária e universal. Essa causa é a Natureza. Significa dizer, portanto, que tal coisa não depende da ação e intenção dos seres humanos. Assim como é da natureza dos corpos serem governados pela lei natural da gravitação universal, como é da natureza da água ser composta por H2O, ou como é da natureza da abelha
produzir mel e da roseira produzir rosas, também seria por natureza que os homens sentem, pensam e agem. A Natureza teria feito a natureza humana como gênero universal e a teria diversificado por espécies naturais (brancos, negros, índios, pobres, ricos, judeus, árabes, homens, mulheres, alemães, japoneses, chineses, etc.).
Que aconteceria com as frases que mencionamos acima se mostrássemos que algumas delas são contraditórias e que outras não correspondem aos fatos da realidade? Assim, por exemplo, dizer que “é natural chorar na tristeza” entra em contradição com a idéia de que “homem não chora”, pois, se isso fosse verdade, o homem teria que ser considerado algo que escapa das leis da Natureza, já que chorar é considerado natural. O mesmo acontece com a frase sobre o medo e a coragem: nelas é dito que o medo é natural, mas que uma certa pessoa é admirável porque não tem medo. Aqui, a contradição é ainda maior do que a anterior, uma vez que parecemos ter admiração por quem, misteriosamente, escapa da lei da Natureza, isto é, do medo.
Em certas sociedades, o sistema de alianças, que fundamenta as relações de parentesco sobre as quais a comunidade está organizada, exige que a criança seja levada, ao nascer, à irmã do pai, que deverá responsabilizar-se pela vida e educação da criança. Em outras, o sistema de parentesco exige que a criança seja entregue à irmã da mãe. Nos dois casos, a relação da criança é estabelecida com a tia por aliança e não com a mãe biológica. Se assim é, como fica a afirmação de que as mulheres amam naturalmente os seus filhos e que é desnaturada a mulher que não demonstrar esse amor?
Em certas sociedades, considera-se que a mulher é impura para lidar com a terra e com os alimentos. Por esse motivo, o cultivo da terra, a alimentação e a casa ficam sob os cuidados dos homens, cabendo às mulheres a guerra e o comando da comunidade. Se assim é, como fica a frase que afirma que o homem foi feito pela Natureza para o que exige força e coragem, para o comando e a guerra, enquanto a mulher foi feita pela Natureza para a maternidade, a casa, o trabalho doméstico, as atividades de um ser frágil e sensível?
Os historiadores brasileiros mostram que, por razões econômicas, a elite dominante do século XIX considerou mais lucrativo realizar a abolição da escravatura e substituir os escravos africanos pelos imigrantes europeus. Essa decisão fez com que o mercado de trabalho fosse ocupado pelos trabalhadores
brancos imigrantes e que a maioria dos escravos libertados ficasse no desemprego, sem habitação, sem alimentação e sem qualquer direito social, econômico e político. Em outras palavras, foram impedidos de trabalhar e foram mantidos sem direitos, tais como viviam quando estavam no cativeiro. Além disso, sabe-se que quando os colonizadores instituíram a escravidão e trouxeram os africanos para as terras da América, fizeram tal escolha por considerarem que os negros possuíam grande força física, grande capacidade de trabalho e muita inteligência para realizar tarefas com objetos técnicos como o engenho de açúcar. Se assim é, se a escravidão foi instituída por causa da grande capacidade e inteligência dos africanos para o trabalho da agricultura, se a abolição foi realizada por ser mais lucrativo o uso da mão-de-obra imigrante para um certo tipo de agricultura (o café) e para a indústria, como fica a afirmação de que a Natureza fez os africanos indolentes, preguiçosos e malandros?
Poderíamos examinar cada uma das frases que dizemos ou ouvimos em nosso cotidiano e que naturalizam os seres humanos, naturalizam comportamentos, idéias, valores, formas de viver e de agir. Veríamos como, em cada caso, os fatos desmentem tal naturalização. Veríamos como os seres humanos variam em conseqüência das condições sociais, econômicas, políticas, históricas em que vivem. Veríamos que somos seres cuja ação determina o modo de ser, agir e pensar e que a idéia de um gênero humano natural e de espécies humanas naturais não possui fundamento na realidade. Veríamos – graças às ciências humanas e à Filosofia – que a idéia de natureza humana como algo universal, intemporal e existente em si e por si mesma não se sustenta cientificamente, filosoficamente e empiricamente. Por quê? Porque os seres humanos são
culturais ou históricos. (CHAUÍ, M. Convite à Filosofia - p. 367-369)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O conhecimento em Aristóteles

“Todos os homens tem por natureza o desejo de conhecer [...] Por natureza seguramente os animais são dotados de sensação, mas nuns da sensação não se gera a memória e noutros gera-se. Por isto estes são mais inteligentes e mais aptos a aprender do que os que são incapazes de recordar. Inteligentes pois, mas sem possibilidade de aprender são todas os que não podem captar os sons, como as abelhas e outras espécies de animais. Pelo contrário,  têm faculdade de aprender todos os seres que além de memória, são providos também deste sentido. Os outros [animais] vivem portanto de imagens e recordações e de experiência pouco possuem. Mas, a espécie humana [vive] também de artes e raciocínios. É da memória que deriva aos homens a experiência: pois as recordações repetidas de uma mesma coisa possuem o efeito de uma única experiência , e a experiência quase se parece com a ciência e a arte.  Na realidade porém, ciência e arte vêm aos homens por intermédio da experiência, porque a experiência, como afirma polos, e bem, criou a arte, e a inexperiência o acaso. E a arte aparece quando, de um complexo de noções experimentadas, se exprime um único juízo universal dos casos semelhantes. [...] E isto porque a experiência é um conhecimento de singulares e a arte, dos universais; e, por outro lado, porque as operações e as gerações todas dizem respeito ao singular. [....] No entanto, nós julgamos que há mais saber e conhecimento na arte do que na experiência, e consideramos os homens de arte mais sábios que os empíricos [...]. Isto porque uns conhecem as causas e os outros não. Com efeito, os empíricos sabem o “quê”, mas não sabem o “porquê”; ao passo que os outros sabem o “porquê” e a causa. Por isto nós pensamos que os mestres-de-obras, em todas as coisas são mais apreciáveis e sabem mais que os operários, pois conhecem as causas do que se faz, enquanto estes, à semelhança de certos seres inanimados, agem, mas sem saberem o que fazem tal como o fogo [quando] queima. Os seres inanimados executam, portanto, cada uma das suas funções em virtude de uma certa natureza que lhes é própria, e os mestres pelo hábito. Não são, portanto, mais sábios [os mestres] por terem aptidão prática, mas pelo fato de possuírem a teoria e conhecerem as causas.” (ARISTÓTELES, A metafísica, Livro I)

Filosofia e ética - Unidade 1 - Teoria do conhecimento

Queridxs,

Hoje conversamos rapidamente sobre a primeira unidade do nosso programa que visa discutir um pouco sobre o que é conhecimento, como ele é possível, etc. Acima segue o trecho da obra de Aristóteles que leremos juntxs na próxima aula. Antes só quero deixar aqui um link, com um pequeno esclarecimento sobre aquele exemplo que aventei do "Bóson de Higgs', por ser compreendido como "a partícula de Deus", ele põe em cheque alguns limites anteriormente estabelecidos para o conhecimento humano. Até então a ciência tinha aprendido que as questões metafísicas e/ou teológicas deveriam ser deixadas de lado de sua investigação. Não sei até que ponto se pode dizer que essa tese ou classificação abala esta convicção, mas parece que sim. O que vocês acham?
Em todo caso, leiam abaixo um trecho de uma entrevista concedia a Revista Veja, por Fabiola Gianotti. Ela esteve a frente das pesquisas do LHC, maior acelerador de partículas do mundo que encontrou provas da existência do tal bóson (que parece ter sido já previsto por alguma teoria anteriormente). Ela concorre ao prêmio nobel por isso...  Ela diz de uma maneira mais clara o que tentei por em discussão com vocês hoje, acerca do papel da ciência, finalidade, liberdade, arte, etc...

veja: nem sempre as pessoas conseguem relacionar os resultados práticos com as pesquisas básicas. É assim mesmo?
fabíola: As pesquisas de fundamentos científicos são o combustível que acelera o progresso da humanidade. Quando uma das várias perguntas que fazemos na ciência é respondida, tudo muda para a civilização. O Higgs foi revelado no dia 4 de julho de 2012. Isso não quer dizer que no dia 4 a revolução a que deu início foi sentida por cada pessoa. É algo que demora décadas, mas que, quando compreendemos o que ocorreu, entendemos quanto foi fundamental para nós. A melhor maneira de entender esse pilar da humanidade é olhar para o passado. Quando o físico inglês Joseph Jonh Thomson descobriu a existência de elétrons, partículas fundamentais para a explicar os átomos, ao observá-los em laboratório, em 1897, nada mudou em seu mundo, em sua cidade ou em seu bairro no dia seguinte ao achado. Ele não tinha ideia de que isso seria depois a base para gerar energia pelo mundo, para a existência de televisores, para mudar a maneira como vivemos. Em dez, vinte ou cinquenta anos, cientistas farão um raciocínio parecido tendo como começo o bóson de Higgs e como ele nos transformou. Por fim, a terceira forma como as descobertas mudam nossa vida exige uma abordagem filosófica. Conhecer e compreender as regras da natureza é dever e direito do homem como ser pensante. O cérebro nos mostra instintiva e racionalmente que queremos mais conhecimento. Nesse enfoque a ciência vira irmã da arte. Para financiar artistas, vamos pensar sobre qual é a finalidade prática de pinturas e músicas? De forma alguma. Apoiamos a arte e a ciência por serem as expressões máximas do ser humano.

Abraços e um bom carnaval!
:)