sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Da faculdade de julgar

Na aula de hoje vamos falar um pouquinho sobre a faculdade de julgar em Kant e discutirmos a introdução da "Crítica da faculdade do juízo". Não se desesperem queridxs, passei a semana toda pensando em vocês e num jeito de esclarecer essa parafernalha conceitual! Recomendo fortemente a leitura do livro "Estética" da professora Cláudia Drucker, que é bem claro sem perder o rigor. Abaixo posto o esquema que usarei, uma cartografia conceitual que fiz dessa parte do texto.

CRÍTICA DA FACULDADE DO JUÍZO — Immanuel Kant

O círculo é redondo
O círculo é uma superfície plana cujos pontos são eqüidistantes de um ponto fixo -- o centro
O círculo é verde
O círculo é belo



CONCEITOS DE NATUREZA
§   Filosofia da Natureza (teórica)
§   Legislação pelo o entendimento (Conclusões mediante inferências)
§   Representa os objetos na intuição como fenômenos
§   Prescrições e regras sensíveis
§   Realidade sensível
§   Faculdade de conhecimento

CONCEITOS DE LIBERDADE
§   Filosofia Moral (prática)
§   Legislação pela razão (Legislação autêntica)
§   Representa os objetos como coisas em si mesmas
§   Leis supra-sensíveis
§   Realidade prática
§   Faculdade de apetição


§   Abismo intransponível entre ambas mediante uso teórico da razão
§   Entretanto, o conceito de liberdade deve efetivar no mundo o fim de suas leis, logo a forma natureza tem que ser pensada conformidade a leis, concordante com a possibilidade do fim nela colocado pelo conceito de liberdade
§   FACULDADES DA ALMA: conhecimento, sentimento de prazer e desprazer, apetição


FACULDADE DO JUÍZO
§  Termo médio entre o entendimento e a razão
§  Não legisla, mas contém princípios a priori para procurar leis
§  Puramente subjetivo
§  Não contem campo de objetos, mas possui território próprio
§  Sentimento de prazer e desprazer (intermediário entre as duas faculdades superiores)


§  Faculdade de juízo em geral: Faculdade de pensar o particular como contido no universal
§  Faculdade de juízo determinante: A regra da subsunção do particular é dada, e aplicada a natureza
§  Faculdade de juízo reflexiva: Só o particular é dado, para o qual ela deve encontrar o universal, ela deve pensar sobre sua lei e aplica-la somente a si mesma. (Esta faculdade dá a lei a si mesma e não a natureza)
§  Fim: Conceito de um objeto na medida em contém ao mesmo tempo o fundamento da efetividade deste objeto
§  Conformidade a fins (Zweckmässigkeit): Acordo de uma coisa com aquela constituição das coisas, possível somente segundo fins
§  Conformidade a fins na natureza: Representação da natureza como se o entendimento contivesse o fundamento do múltiplo de suas leis empíricas, originado na faculdade de juízo reflexiva
§  Ligação do sentimento de prazer com o princípio de conformidade a fins da natureza: Essa concordância da natureza com a universalidade dos princípios é ajuizada como contingente e ao mesmo tempo imprescindível para nossas necessidades intelectuais. A descoberta desta ordem é uma atividade do entendimento, conduzido pela intenção de um fim necessário. Prazer é a realização de toda e qualquer intenção, que por sua vez, tem como condição uma representação a priori.
§  Natureza estética: Aquilo que na representação de um objeto é meramente subjetivo
§  Validade lógica: Aquilo que nela pode servir ou é utilizado para a determinação do objeto
§  Prazer ou desprazer: Aquele elemento subjetivo que de modo algum pode ser parte do conhecimento (o espaço é subjetivo, mas pode ser conhecido), exprime a adequação do objeto às faculdades de conhecimento em jogo na faculdade de juízo reflexiva
§  Juízo estético: sobre a conformidade a fins de um objeto (prazer) que não se fundamenta em qualquer conceito existente de ajuizar objeto e nenhum conceito é por ele criado
§  Belo: objeto julgado no juízo estético
§  Gosto: faculdade de julgar mediante tal prazer
O prazer não é produzido pelo conceito de liberdade e tampouco pode advir de conceitos, mas tem sempre que ser conhecido através da percepção refletida ligada a esta.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O conceito de transcendental em Kant

    Queridxs, na aula de hoje vamos continuar a famigerada introdução ao pensamento kantiano, para termos as ferramentas necessárias para entender o conceito de belo e o juízo de gosto da sua teoria estética, tão cara até hoje à crítica de arte. Conforme havia prometido, segue abaixo o esquema da aula que seguirei. E a partir da próxima semana, já podemos nos aventurar na leitura da obra "A crítica da faculdade de julgar". 



1.      A pergunta certa: Como é possível conhecer? (o conceito de transcendental em Kant está intimamente ligado com a pergunta norteadora de toda a C. R. Pura / o conhecimento que se ocupa com o modo de conhecer os objetos e não tanto com os próprios é designado como TRANSCENDENTAL / FILOSOFIA TRANSCENDENTAL é o sistema de tais conceitos)
2.     Coisa em si e Fenômeno(A partir do empirismo e do idealismo, Kant se dá conta de que; se há princípios ideais reguladores da experiência e, simultaneamente, todo nosso conhecimento se origina na experiência; jamais apreendemos as coisas em si mesmas, mas apenas o modo como elas se nos aparecem, a saber, enquanto fenômenos que são moldados pela nossa estrutura de conhecimento)
3.     Faculdades do conhecimento (determinam, estipulam as condições totais de possibilidade do objeto)
            Sensação (caos, onde não há individuação / matéria bruta)
            Sensibilidade (opera com as formas puras do espaço e do tempo, organiza o caos)
            Imaginação (opera com imagens puras)
            Entendimento (opera com conceitos puros ou categorias)
            Razão (opera com as idéias de Deus, liberdade e imortalidade da alma)
4.     A razão compreende o que ela mesma produz segundo seu projeto (ela produz as formas puras, tempoespaço, conceitos, categorias / somente nesta delimitação há mundo, seu projeto é ontológico, fora disso nãosignificado, nada existe para homem)
5.     Conhecimentos a priori e a posteriori (conhecimentos absolutamente independentes da experiência e conhecimentos advindos dela / a experiência fornece juízos contingentes que somente podem ser universalizados por induçãocomo bem elucidou Hume / porém juízos dotados de universalidade e necessidade rigorosa são possíveis, a saber a priori )
6.     Juízos analíticos e Juízos sintéticos (os primeiros não acrescentam conhecimento, somente elucidam uma união implícitatorna consciente o múltiplo que penso no conceito e encontro o predicado”, sempre a priori/ os sintéticos ampliam nosso conhecimento a medida em que unem duas coisas, o predicado está fora do sujeito lhe sendo acrescentado)
7.     Juízos sintéticos a priori (certas coisas pensamos com absoluta necessidade mas não lhes encontramos analiticamente dadas ex: o conceito de causa / sabemos de antemão que todo efeito tem uma causa mas ele mesmo não nos apresenta isto, trata-se de um juízo sintético a priori / tais juízos são importantes a medida em que constituem uma necessidade que sintetiza fornecendo conhecimento)
8.     Estética Transcendental
            Sensibilidade: nossa disposição de sermos afetados pelos objetos
            Intuição: modo com nos referimos ao objeto – uma representação que precede a ação de pensar qualquer coisa, mas ela representa o que é posto na mente, portanto, é a forma que a mente é afetada pela sua própria atividade.
            Sensação: efeito de um objeto sobre a capacidade de representação (existem as que não são intuídas, mas não nada a conhecer)
            Fenômeno: objeto indeterminado de uma intuição empírica ( se determina no entendimento)
            Matéria: o que no fenômeno corresponde a sensação, é dada a posteriori
            Forma: ordena em certas relações o múltiplo do fenômeno, tem que estar disposta a priori e ser considerada separadamente de toda a sensação
            Representações puras: aquelas em que nada se encontra referente à sensação. São as intuições puras nas quais todo múltiplo dos fenômenos é intuído. É o que sobra quando tiro o que o entendimento pensa do objeto e o que a sensação fornece como matéria
            Formas puras da intuição sensível: ESPAÇO e TEMPO
9.     Espaço  (forma da intuição em sentido externo / todas as propriedades da coisa em sentido externo somente podem ser intuídas numa subsunção espacial / não é algo tomado da experiência externa, ao contrário, é sua condição de possibilidade)
10. Tempo (forma da intuição em sentido externo e interno / intuir algo numa sucessão ou consecução temporal é possível em função da representação a priori do tempo / os fenômenos não podem ser pensados sem o tempo, mas este independe daqueles)
11.  Idealidade transcendental (Kant fala da idealidade do tempo, mas podemos as estender a toda estrutura do sujeito transcendental / as formas puras da intuição existem em nossas condições subjetivas, fora delas tempo e espaço nada são, não tem correspondente nenhum nas coisas em si mesmas / logo, ele não possui realidade transcendental, somente empírica, ou seja, não se trata de realidade absoluta pois para outro ente é possível que a mudança ocorra sem conformar-se a tempo e espaço)
12. Entendimento (liga o múltiplo da intuição / trata-se de uma atividade espontânea, quer dela sejamos conscientes ou não
            analítica dos conceitos: decomposição da faculdade do entendimento a fim de investigar a possibilidade dos conceitos a prioritarefa específica da filosofia transcendental
            entendimento:  faculdade de produzir ela mesma representações ou espontaneidade do conhecimento – se refere ao objeto somente mediante a uma outra representação deste, sendo intuição ou conceito
            função: ação de unificar diversas representações comuns que fundam os conceitos
            juízo: representação da representação de um objeto
            categorias: conceitos de um objeto em geral mediante os quais a sua intuição é considerada determinada no tocante a uma das funções lógicas do juízoindependentes da sensibilidade mediante as quais o entendimento acrescenta unidade as intuições
            ligação: contém o conceito de múltiplo e sua síntese e o de unidaderepresentação da unidade sintética do múltiplo
13. Eu penso: apercepção originária(a unidade do múltiplo não pode surgir da ligação pois esta a pressupõem igualmente, assim como as categorias / as ligações não podem sersoltas” / elas pressupõem uma unidade: o eu penso que deve poder acompanhar todas as minhas representações / unidade transcendental da consciência que possibilita o conhecimento a priori / somente posso me pensar e não me intuir visto que conheço mediante intuições empíricas e nunca intelectuais / tenho consciência que sou mas não como sou)

14. Transcendental: o modo pelo qual conhecemos – (a consciência da possibilidade nos referirmos de modo a priori aos objetos da experiência é o que se denomina transcendental)