quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O sublime na arte

Turner - Vapor numa tempestade de neve - 1842

"Turner teve também visões de um mundo fantástico, banhado de luz e resplendente de beleza; mas, em vez de calma, o seu era um mundo de movimento, em vez de harmonias simples, deslumbrante aparato. Reuniu em suas telas todos os efeitos que pudessem torná-las ainda mais impressionantes e dramáticas; e, tivesse sido um artista menor do que era, seu desejo de impressionar o público poderia muito bem ter tido um resultado desastroso. Entretanto, era um encenador tão soberbo, trabalhava com tamanha volúpia e habilidade que levava de vencida todas as dificuldades e os seus melhores quadros proporcionam-nos, de fato, uma concepção de grandiosidade da natureza em seus momentos mais românticos e sublimes. [...] Quase sentimos a arremetida do vento e o impacto das ondas. Não temos tempo de olhar os detalhes. Eles são tragados pela ofuscante luz e as sombras espessas da nuvem de tormenta. Ignoro se uma tempestade no ar tem realmente esse aspecto. Mas sei que é uma tormenta desse tipo assustador e empolgante que imaginamos ao ler um poema romântico ou escutar uma música romântica."  (GOMBRICH, História da arte, p. 391-392)

"Terá Kant percebido, antes de Freud, que sublime é sublimação de um sofrimento escondido, recalcado, transfigurado pela consciência (a razão) e que permite que o 'inaprensentável' se torne momentaneamente 'apresentável'? De fato, não há de mais fugitivo do que o sentimento do sublime... No plano artístico, isto significa que a liberdade de invenção é formal é ela também infinita, sem regras, sem prescrições. Somente de nos depende usar essa liberdade e fixar seus limites. Somos, de algum modo, únicos donos do jogo" (JIMENEZ, O que é estética?, p. 144)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O contratualismo

Queridxs, o tema da nossa próxima aula da disciplina de Estado e Sociedade será o Contratualismo, conforme prometido, passo para vocês o texto a ser lido e discutido, ele já está na pasta do curso aqui. Vamos ler o capítulo "Hobbes" do livro "Antologia dos textos filosóficos", tem uma boa introdução da professora Maria Isabel Limonge e alguns excertos da obra "O Leviatã" de Thomas Hobbes.

Até logo!

Abraços,

Elizia

domingo, 20 de outubro de 2013

Estética e Crítica da arte - trabalho e recados

Queridxs,

Na aula passada encerramos a discussão sobre Kant com a leitura do artigo "Três dimensões espaciais da estética de Kant" de Fiona Hughes. Um artigo bem interessante que nos fala do espaço figurativo do objeto belo (este que ele efetivamente ocupa no mundo), do espaço mental (este da reflexão causada no juízo de gosto) e do espaço social ou de comunicabilidade (este da discussão sobre o belo). Ela encerra o artigo relacionando estas dimensões com a arte. Além de esclarecer o pensamento kantiano, o artigo também nos ajuda a compreender o "espaço da crítica" garimpado, por assim dizer, com a sua concepção de juízo de gosto. Minha proposta para uma das avaliações é que vocês escolham uma das duas exposições abaixo indicadas e redijam um pequeno texto crítico acerca delas. Depois de feito o exercício, procurem refletir em que medida a possibilidade de discussão e/ou interpretação da obra se enquadra ou não na proposta de Fiona.

Exposições:

http://destaquecatarina.com.br/noticias/cultura/3710/alianca-francesa-expoe-esculturas-de-nani-isoppo

http://floripacult.com/2013/10/10/cor-galeria-recebe-exposicao-criancando-dos-artistas-zenk-dudas-e-rossi/

Além disto, vocês deverão produzir um artigo sobre algum dos textos utilizados ao longo do semestre, fiquem a vontade para relacionar com artistas e trabalhos de vossa preferência! Data limite de entrega: 22/11.

LEMBRO QUE NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA 25/10, NÃO HAVERÁ AULA, por favor avisem aos colegas!

Enquanto isso vocês já podem ler o texto da próxima aula: "A dúvida de Cézanne" de Merleau-Ponty, ele já se encontra disponível aqui.

Abraços e até!

Analítica do Belo - momentos do juízo de gosto

Abaixo o resumo dos quatro momentos do juízo de gosto sobre o belo, presentes na analítica do Belo da "Crítica da faculdade do juízo":

Primeiro momento do juízo de gosto, segundo a QUALIDADE: Gosto é a faculdade de ajuizamento de um objeto ou de um modo de representação mediante uma complacência ou descomplacência independente de todo interesse. O objeto de uma tal complacência chama-se belo.”

§ AGRADÁVEL É O QUE DELEITA, BELO É O QUE APRAZ E BOM AQUILO QUE ESTIMADO;

Segundo momento do juízo de gosto, a saber, segundo sua QUANTIDADE: Belo é o que apraz universalmente sem conceito

Terceiro momento do juízo de gosto, segundo a RELAÇÃO DOS FINS QUE NELE É CONSIDERADA: “Beleza é a forma da conformidade a fins de um objeto, na medida em que ela é percebida nele sem a representação de um fim.”

Quarto momento do juízo de gosto segundo a MODALIDADE da complacência no objeto: “Belo é o que é conhecido sem conceito como objeto de uma complacência necessária”

terça-feira, 8 de outubro de 2013

soberania, nação, estado e privacidade

Queridxs alunxs de Engenharia do Petróleo,

Vocês estão acompanhando as notícias do leilão de campos de exploração de petróleo? Aqui tem uma reportagem bem interessante que traz a tona discussões de nossos cursos a respeito de soberania, poder político e econômico.

http://www.brasildefato.com.br/node/26200

Fica a dica de leitura para nossas discussões!

Abraços e até quinta! ;)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Da faculdade de julgar

Na aula de hoje vamos falar um pouquinho sobre a faculdade de julgar em Kant e discutirmos a introdução da "Crítica da faculdade do juízo". Não se desesperem queridxs, passei a semana toda pensando em vocês e num jeito de esclarecer essa parafernalha conceitual! Recomendo fortemente a leitura do livro "Estética" da professora Cláudia Drucker, que é bem claro sem perder o rigor. Abaixo posto o esquema que usarei, uma cartografia conceitual que fiz dessa parte do texto.

CRÍTICA DA FACULDADE DO JUÍZO — Immanuel Kant

O círculo é redondo
O círculo é uma superfície plana cujos pontos são eqüidistantes de um ponto fixo -- o centro
O círculo é verde
O círculo é belo



CONCEITOS DE NATUREZA
§   Filosofia da Natureza (teórica)
§   Legislação pelo o entendimento (Conclusões mediante inferências)
§   Representa os objetos na intuição como fenômenos
§   Prescrições e regras sensíveis
§   Realidade sensível
§   Faculdade de conhecimento

CONCEITOS DE LIBERDADE
§   Filosofia Moral (prática)
§   Legislação pela razão (Legislação autêntica)
§   Representa os objetos como coisas em si mesmas
§   Leis supra-sensíveis
§   Realidade prática
§   Faculdade de apetição


§   Abismo intransponível entre ambas mediante uso teórico da razão
§   Entretanto, o conceito de liberdade deve efetivar no mundo o fim de suas leis, logo a forma natureza tem que ser pensada conformidade a leis, concordante com a possibilidade do fim nela colocado pelo conceito de liberdade
§   FACULDADES DA ALMA: conhecimento, sentimento de prazer e desprazer, apetição


FACULDADE DO JUÍZO
§  Termo médio entre o entendimento e a razão
§  Não legisla, mas contém princípios a priori para procurar leis
§  Puramente subjetivo
§  Não contem campo de objetos, mas possui território próprio
§  Sentimento de prazer e desprazer (intermediário entre as duas faculdades superiores)


§  Faculdade de juízo em geral: Faculdade de pensar o particular como contido no universal
§  Faculdade de juízo determinante: A regra da subsunção do particular é dada, e aplicada a natureza
§  Faculdade de juízo reflexiva: Só o particular é dado, para o qual ela deve encontrar o universal, ela deve pensar sobre sua lei e aplica-la somente a si mesma. (Esta faculdade dá a lei a si mesma e não a natureza)
§  Fim: Conceito de um objeto na medida em contém ao mesmo tempo o fundamento da efetividade deste objeto
§  Conformidade a fins (Zweckmässigkeit): Acordo de uma coisa com aquela constituição das coisas, possível somente segundo fins
§  Conformidade a fins na natureza: Representação da natureza como se o entendimento contivesse o fundamento do múltiplo de suas leis empíricas, originado na faculdade de juízo reflexiva
§  Ligação do sentimento de prazer com o princípio de conformidade a fins da natureza: Essa concordância da natureza com a universalidade dos princípios é ajuizada como contingente e ao mesmo tempo imprescindível para nossas necessidades intelectuais. A descoberta desta ordem é uma atividade do entendimento, conduzido pela intenção de um fim necessário. Prazer é a realização de toda e qualquer intenção, que por sua vez, tem como condição uma representação a priori.
§  Natureza estética: Aquilo que na representação de um objeto é meramente subjetivo
§  Validade lógica: Aquilo que nela pode servir ou é utilizado para a determinação do objeto
§  Prazer ou desprazer: Aquele elemento subjetivo que de modo algum pode ser parte do conhecimento (o espaço é subjetivo, mas pode ser conhecido), exprime a adequação do objeto às faculdades de conhecimento em jogo na faculdade de juízo reflexiva
§  Juízo estético: sobre a conformidade a fins de um objeto (prazer) que não se fundamenta em qualquer conceito existente de ajuizar objeto e nenhum conceito é por ele criado
§  Belo: objeto julgado no juízo estético
§  Gosto: faculdade de julgar mediante tal prazer
O prazer não é produzido pelo conceito de liberdade e tampouco pode advir de conceitos, mas tem sempre que ser conhecido através da percepção refletida ligada a esta.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O conceito de transcendental em Kant

    Queridxs, na aula de hoje vamos continuar a famigerada introdução ao pensamento kantiano, para termos as ferramentas necessárias para entender o conceito de belo e o juízo de gosto da sua teoria estética, tão cara até hoje à crítica de arte. Conforme havia prometido, segue abaixo o esquema da aula que seguirei. E a partir da próxima semana, já podemos nos aventurar na leitura da obra "A crítica da faculdade de julgar". 



1.      A pergunta certa: Como é possível conhecer? (o conceito de transcendental em Kant está intimamente ligado com a pergunta norteadora de toda a C. R. Pura / o conhecimento que se ocupa com o modo de conhecer os objetos e não tanto com os próprios é designado como TRANSCENDENTAL / FILOSOFIA TRANSCENDENTAL é o sistema de tais conceitos)
2.     Coisa em si e Fenômeno(A partir do empirismo e do idealismo, Kant se dá conta de que; se há princípios ideais reguladores da experiência e, simultaneamente, todo nosso conhecimento se origina na experiência; jamais apreendemos as coisas em si mesmas, mas apenas o modo como elas se nos aparecem, a saber, enquanto fenômenos que são moldados pela nossa estrutura de conhecimento)
3.     Faculdades do conhecimento (determinam, estipulam as condições totais de possibilidade do objeto)
            Sensação (caos, onde não há individuação / matéria bruta)
            Sensibilidade (opera com as formas puras do espaço e do tempo, organiza o caos)
            Imaginação (opera com imagens puras)
            Entendimento (opera com conceitos puros ou categorias)
            Razão (opera com as idéias de Deus, liberdade e imortalidade da alma)
4.     A razão compreende o que ela mesma produz segundo seu projeto (ela produz as formas puras, tempoespaço, conceitos, categorias / somente nesta delimitação há mundo, seu projeto é ontológico, fora disso nãosignificado, nada existe para homem)
5.     Conhecimentos a priori e a posteriori (conhecimentos absolutamente independentes da experiência e conhecimentos advindos dela / a experiência fornece juízos contingentes que somente podem ser universalizados por induçãocomo bem elucidou Hume / porém juízos dotados de universalidade e necessidade rigorosa são possíveis, a saber a priori )
6.     Juízos analíticos e Juízos sintéticos (os primeiros não acrescentam conhecimento, somente elucidam uma união implícitatorna consciente o múltiplo que penso no conceito e encontro o predicado”, sempre a priori/ os sintéticos ampliam nosso conhecimento a medida em que unem duas coisas, o predicado está fora do sujeito lhe sendo acrescentado)
7.     Juízos sintéticos a priori (certas coisas pensamos com absoluta necessidade mas não lhes encontramos analiticamente dadas ex: o conceito de causa / sabemos de antemão que todo efeito tem uma causa mas ele mesmo não nos apresenta isto, trata-se de um juízo sintético a priori / tais juízos são importantes a medida em que constituem uma necessidade que sintetiza fornecendo conhecimento)
8.     Estética Transcendental
            Sensibilidade: nossa disposição de sermos afetados pelos objetos
            Intuição: modo com nos referimos ao objeto – uma representação que precede a ação de pensar qualquer coisa, mas ela representa o que é posto na mente, portanto, é a forma que a mente é afetada pela sua própria atividade.
            Sensação: efeito de um objeto sobre a capacidade de representação (existem as que não são intuídas, mas não nada a conhecer)
            Fenômeno: objeto indeterminado de uma intuição empírica ( se determina no entendimento)
            Matéria: o que no fenômeno corresponde a sensação, é dada a posteriori
            Forma: ordena em certas relações o múltiplo do fenômeno, tem que estar disposta a priori e ser considerada separadamente de toda a sensação
            Representações puras: aquelas em que nada se encontra referente à sensação. São as intuições puras nas quais todo múltiplo dos fenômenos é intuído. É o que sobra quando tiro o que o entendimento pensa do objeto e o que a sensação fornece como matéria
            Formas puras da intuição sensível: ESPAÇO e TEMPO
9.     Espaço  (forma da intuição em sentido externo / todas as propriedades da coisa em sentido externo somente podem ser intuídas numa subsunção espacial / não é algo tomado da experiência externa, ao contrário, é sua condição de possibilidade)
10. Tempo (forma da intuição em sentido externo e interno / intuir algo numa sucessão ou consecução temporal é possível em função da representação a priori do tempo / os fenômenos não podem ser pensados sem o tempo, mas este independe daqueles)
11.  Idealidade transcendental (Kant fala da idealidade do tempo, mas podemos as estender a toda estrutura do sujeito transcendental / as formas puras da intuição existem em nossas condições subjetivas, fora delas tempo e espaço nada são, não tem correspondente nenhum nas coisas em si mesmas / logo, ele não possui realidade transcendental, somente empírica, ou seja, não se trata de realidade absoluta pois para outro ente é possível que a mudança ocorra sem conformar-se a tempo e espaço)
12. Entendimento (liga o múltiplo da intuição / trata-se de uma atividade espontânea, quer dela sejamos conscientes ou não
            analítica dos conceitos: decomposição da faculdade do entendimento a fim de investigar a possibilidade dos conceitos a prioritarefa específica da filosofia transcendental
            entendimento:  faculdade de produzir ela mesma representações ou espontaneidade do conhecimento – se refere ao objeto somente mediante a uma outra representação deste, sendo intuição ou conceito
            função: ação de unificar diversas representações comuns que fundam os conceitos
            juízo: representação da representação de um objeto
            categorias: conceitos de um objeto em geral mediante os quais a sua intuição é considerada determinada no tocante a uma das funções lógicas do juízoindependentes da sensibilidade mediante as quais o entendimento acrescenta unidade as intuições
            ligação: contém o conceito de múltiplo e sua síntese e o de unidaderepresentação da unidade sintética do múltiplo
13. Eu penso: apercepção originária(a unidade do múltiplo não pode surgir da ligação pois esta a pressupõem igualmente, assim como as categorias / as ligações não podem sersoltas” / elas pressupõem uma unidade: o eu penso que deve poder acompanhar todas as minhas representações / unidade transcendental da consciência que possibilita o conhecimento a priori / somente posso me pensar e não me intuir visto que conheço mediante intuições empíricas e nunca intelectuais / tenho consciência que sou mas não como sou)

14. Transcendental: o modo pelo qual conhecemos – (a consciência da possibilidade nos referirmos de modo a priori aos objetos da experiência é o que se denomina transcendental)

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Aparência versus Realidade

Recado para os alunos de Filosofia e Ética na Engenharia! O texto que estaremos é o primeiro capítulo do livro "Problemas da filosofia" de Bertrand Russel, intitulado "Aparência e realidade". O livro completo está disponível aqui, imprimam o primeiro capítulo ou levem o material nos seus notes, ipads, etc....

Abraços!

;)


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Berimbau!

Capoeira me mandou dizer que já chegou

Chegou para lutar
Berimbau me confirmou vai ter briga de amor
Tristeza camará
(Vinícius de Moraes)


Alunxs queridxs todxs!

Não só pela rifa, mas porque faz parte da nossa cultura e da arte que produzimos, divido um pouquinho com todos vocês...

Para quem não conhece, o berimbau  é um instrumento de corda de origem angolana. Foi trazido pelos escravos angolanos para o Brasil e aqui ele é utilizado até hoje para acompanhar e comandar o jogo da capoeira. 

A capoeira, uma luta de origem africana também que como diz o grande mestre Acordeon "chegou lá na Bahia pequenina engatinhando, foi crescendo engordando, se tornando brasileira..". Luta de libertação, foi gestada entre os escravos e traz em si a criatividade própria de quem tem como arma uma sabedoria orgânica, trazida no corpo! Eis um mundo muito rico, haveria muito que se falar sobre ele, mas vou deixar abaixo alguns vídeos que falarão melhor por mim...

"Um instrumento de uma corda só, mas que tem muita riqueza dentro dessa corda. Uma corda vários sons.." 



E aqui um jogo que eu não consegui colocar como vídeo na postagem! Foi muito emocionante, dois grandes contra-mestres do meu grupo o Cordão de Ouro... 

;)

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A política de Aristóteles

Queridxs!

Percebi que o texto que disponibilizei no link para vocês não contém a obra de Aristóteles que vamos estudar. Antes constava apenas a coleção "Os pensadores" dedicada a este filósofo, com outras obras, mas não "A política". Perdoem-me o equívoco. O texto completo já está disponibilizado aqui, porém trata-se de uma tradução de fonte duvidosa. Por isso, peço que vocês se dediquem a leitura da versão presente na obra "Antologia dos textos filosóficos", aqui vocês irão encontrar (nas páginas 70 à 78) excertos de uma versão mais confiável. ok?
Recapitulando então: para a próxima aula leiam e tragam para lermos juntos as páginas 70 à 78 desta obra aqui ó!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

recado aos alunos de Estética e Crítica de Arte

Queridxs!

O texto de Platão que eu deixei no xerox não é exatamente o que iremos usar no curso, eu deixei o livro III da República, quando nos interessa mais o livro X. Perdoem-me a confusão, fazia tempo que não manejava com este assunto! O texto do Jimenez que estamos estudando tem um capítulo específico sobre o tema: "A arte na cidade", fala de outras obras do Platão também e pode ser bastante interessante!

Sexta eu deixo a versão correta!

;)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Os valores morais são fixos?

Na disciplina de Filosofia e Ética na Engenharia nós tratamos de questões fundamentais de Ética, ainda não chegamos lá nesse semestre (2013/2), mas já deixo esse vídeo aos alunos interessados em se colocar algumas questões que abordaremos, condizentes a origem dos valores morais. A pesquisadora Molly Crockett acredita que nossas disposições éticas podem ser formuladas a partir de fatos morais experimentados sob certas situações "neurológicas", isto é, de acordo com ela, nosso juízo sobre o certo e o errado varia conforme a influência de sinapses cerebrais.
Além de apresentar brevemente duas importantes correntes da ética (utilitarismo e deontologia), essa pesquisa nos incita questões sobre a relatividade ou fixidez dos valores morais. E se Molly estiver correta?
Posteriormente voltaremos a isso, apenas estou disponibilizando o link do vídeo a pedido de um aluno do semestre passado.

Ele pode ser visto aqui.

;)

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Pinceladas entre Ponty e Magritte ...

Não sei até que ponto a coleção da editora Civilização Brasileira sobre os artistas é a melhor fonte de interpretação de obras disponível (ao menos é ótimo ter a reprodução das imagens impressas), mas revisitando aquela dedicada ao surrealista (ou quase-surrealista?!?) René Magritte, encontrei algumas interpretações (explicações) de sua obra bem próximas (ao menos conceitualmente) da definição merleau-pontyana de obra que pincelamos entender em nosso primeiro encontro. Abaixo algumas citações sobre:

"Em meados dessa década [primeira do século XX], Magritte decide renunciar à complacência da pintura tradicional com os contrastes de cor e com as oposições de estilo para representar exatamente os objetos segundo sua fria aparência. A coluna vertebral de sua obra assenta-se sobre o achado de relações insuspeitas entre eles como fonte de efeitos poéticos, fonte essa da qual nunca se afastará ao longo de sua carreira.

Deslocar os objetos de seus locais habituais é para Magritte o recurso para gerar efeitos poéticos sobre o cotidiano:

"'Em meus quadros, os objetos situam-se em lugares onde nunca foram encontrados'. [...] Segundo suas próprias palavras, deve-se fazer com que objetos familiares 'gritem', e para isto é necessário que seja alterada a ordem de seus relacionamentos habituais"

Fazer "pensar de uma maneira distinta do habitual" seria a função da pintura na concepção de Magritte. Ele "[...] concebia a pinutura como um meio para revelar ideias e criar realidades cuja virtualidade não tem confirmação possível na experiência do cotidiano."

Para relembrar, vimos que em "A dúvida de Cézanne", Merleau-Ponty nos propõe as seguintes definições:

žA arte não é uma imitação nem por outro lado, uma fabricação segundo os votos do instinto e do bom gosto. É uma operação de expressão
Cézanne, segundo suas próprias palavras: escreve enquanto pintor o que ainda não foi pintado e o torna pintura de todo
Artista: “aquele que fixa e torna acessível aos mais humanos dos homens o espetáculo de que participam sem perceber
Obra: aquilo que nos permite “[...] Esquecermos as aparências viscosas, equívocas e, através delas, vamos direto às coisas que apresentam.
Um pintor como Cézanne, um artista, um filósofo, devem não somente criar e exprimir uma ideia, mas ainda despertar a experiências que vão enraizar em outras consciências

Eu sabia que aquela minha infame referência ao surrealismo como um possível exemplo de definição de obra de arte merleau-pontyana não havia surgido do nada! Em todo caso é um assunto muito "em aberto" para nós, afinal, essa comparação me parece tão escancaradamente explícita que quase pode chegar a ser ingênua e, ademais, nos deixa desconfortáveis em relação a outros artistas e obras que não se definem conceitualmente dessa forma (pintura conceitual é uma expressão usada no texto da coleção para se referir ao trabalho de Magritte). A vermos...

A filosofia no Camarim, 1947

As relações perigosas
Isto não é um cachimbo
O tempo ameaçador, 1931-1932



Próxima aula: O texto do Marc Jimenez para a próxima aula já está disponível no xerox do CEART. O filme: "Moça com brinco de pérola" é um bom exemplo ficcional sobre a descrição que o autor nos fornece do surgimento dos conceitos de arte e de artista (bem como de um mercado da arte). Ele pode ser visto na íntegra on-line aqui