quarta-feira, 26 de maio de 2010

Aviso importante

Semana que vem não teremos encontro nem do grupo de leituras em ontologia, nem do grupo de estudos, pois estarei viajando. Como na semana seguinte a UFSC estará fechada, os encontros serão retomados normalmente no dia 14 de junho.

Abraços a todos,

domingo, 23 de maio de 2010

Sobre as relações entre o psíquico e fisiológico ou entre consciência e mundo...

... este é o título que seria mais adequado ao capítulo: “O corpo como objeto da fisiologia mecanicista” da primeira parte “O corpo” da obra pontyana.

Já esclareço a razão desta afirmação, antes, permitam-me situá-los e cumprimentá-los adequadamente. Primeiramente, olá! Um aviso importante, o grupo “Fenomenologia da percepção” voltou a ser semanal e nos reunimos todas as segundas no mesmo horário e local. Bem, quase um mês depois quero continuar a saldar minha dívida com este espaço, nós já discutimos o segundo capítulo (“A experiência do corpo e a fisiologia clássica”) conduzidos pelo senhor Otávio e agora já há uns três encontros a flamenca Cláudia nos dirige na tentativa de compreensão do árduo terceiro capítulo (“A espacialidade do corpo próprio e a motricidade”).

Agora sim, retornemos ao primeiro capítulo! Bem, apesar do título “O corpo como objeto e a fisiologia mecanicista”, Merleau-Ponty, num raro momento afirmativo, pouco fala da concepção fisiológica de corpo e nos brinda com uma longa exposição sobre como ele entende ser possível, a partir de uma nova concepção de corporeidade, que se estabeleçam as relações entre o psíquico e o fisiológico. Talvez porque, como de costume, o autor entenda que o leitor já conheça o seu interlocutor, neste caso, adivinhem quem é: ele mesmo na sua obra “A estrutura do comportamento”. Nesta, ele já se deu ao trabalho de evidenciar que as relações estabelecidas a partir da perspectiva fisiológica não funcionam nem mesmo dentro de seu próprio esquema, nele o comportamento (e com ele a percepção e a consciência) não se explica. Com exemplos retirados do seio deste tipo de reflexão demonstra que as relações entre estímulo e resposta não são tão constantes e objetivas como se pretende que o fossem. Tal pretensão é oriunda da tese de que os objetos se relacionam entre si como partes extra partes o que demandam traduzir a noção de organismo em linguagem do em si, para que seja compreendida. Entretanto, a análise de lesões centrais e nas vias sensoriais mostra que as excitações de um mesmo sentido dependem mais da maneira que os estímulos elementares se organizam do que do instrumento material de que se servem. Ora, o comportamento nunca consegue ser reduzido a tais relações distintas, a lesão desvela uma capacidade de adaptação inerente ao organismo acusando sua função de dar uma forma aos estímulos. Este processo não pode ser algo que ocorra em terceira pessoa e do qual o cientista consiga se afastar para ter uma visão objetiva. Fazendo uso de sua marca registrada, Merleau-Ponty vai aos casos de exceção para comprovar a insuficiência desta concepção, desta feita os exemplos eleitos são os casos de “membro fantasma” e os de anosognosia. No primeiro o paciente amputado ainda sente o membro perdido e no segundo, a deficiência de um membro faz com que ele não o sinta mais, que o recuse. Vamos nos deter no primeiro caso, dele podemos perguntar: na ausência de estímulos, como poderia haver a resposta em forma de sensação do membro? Poderíamos dizer se tratar de uma recusa em aceitar a deficiência e neste caso teríamos uma resposta meramente psicológica que, aparentemente, explicaria o fenômeno. Contudo, bem sabemos, os extremos nunca são tão diferentes quanto gostariam e também esta é uma explicação insuficiente, prova disto é que se fizermos uma secção do coto, o paciente deixa de sentir o membro amputado. Por isto, afirmei no início que o título do capítulo deveria ser outro, afinal, o esforço de Ponty aqui, diante do naufrágio destas teses, é o de encontrar um meio de estabelecer uma relação válida entre os âmbitos psíquico e físico ou fisiológico. Sem contentar-se com uma explicação mista que ainda operaria no registro da cisão entre o em si e o para si, ele nos apresenta pela primeiríssima vez (nesta obra) o conceito de ser no mundo. Para compreender esta categoria é preciso sair daquelas que se baseiam no mundo objetivo e considerar o fato de que os reflexos não são processos cegos, mas se ajustam ao sentido da situação e exprimem nossa orientação para um meio de comportamento assim como a ação do meio sobre nós, com ela, é possível ancorar a consciência num certo mundo e dar sentido aquilo que para a concepção científica é uma mera soma de reflexos. A partir deste novo fio condutor de análise os fenômenos já citados podem ser verdadeiramente compreendidos, com ela o corpo ganha duas camadas, a do corpo objetivo e a do corpo habitual. O primeiro é o que conduz o ser no mundo e lhe permite unir-se a este meio (do mundo), confundir-se com seus projetos. E ainda que seja um objeto é totalmente diferente dos demais, pois também pode ser portar como um termo não percebido e como o pivô da percepção dos outros. Ele se habitua a se relacionar e a manipular os objetos deste hábito surge a segunda camada, a do corpo habitual, é nela que podemos encontrar explicação para o membro fantasma, o doente se recusa a aceitar a amputação, pois seu corpo habitual afiança as ações do corpo objetivo o ignorando, literalmente, recalcando-o. Tal constatação, traz consigo uma nova concepção de corporeidade e da relação não só do doente, mas de toda consciência com seu corpo. Isto mesmo meus caros, eis que Merleau-Ponty compara não só a doença, mas também o próprio paradoxo do ser no mundo com o recalque psicanalítico! Diz ele que nossa existência enquanto sujeito suprime, recalca nossa existência enquanto corpo, e agimos na maioria das vezes como se fossemos absolutamente livres de necessidades (ou não sujeitos a corrupção, já liberando aqui alguma interpretação de minha parte...); contudo, o corpo nos situa na existência, e a constância entre alguns circuitos de estímulo e resposta nos insere num a priori ao qual não somos capazes de dar razão. Eis então a ambigüidade (famosa...) do ser no mundo: encarnado (literalmente) no seu corpo, por ele é situado neste mundo e ao mesmo tempo em que pode simplesmente obliterar sua existência biológica, sendo desta forma livre, nunca pode fazê-lo totalmente, pois, não só por algumas vezes ela cobra seu preço como a todo instante opera como um a priori da espécie, do qual o homem participa e que lhe determina mais decisões do que ele pode dar conta....

Ah!! Quantas reflexões podemos fazer a partir desta verdadeira enxurrada de informações! Mas, já me delonguei mais do que gostaria e imagino nem ter sido acompanhada até aqui. Despeço-me com a promessa de posts menos explicativos e mais livres sobre tantas questões instigantes! Por fim, uma pergunta que me acomete: com esta ambigüidade teria Ponty se liberado de uma explicação mista? ...

Piscadinhas,

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A "razão" na filosofia

Deixo aqui algumas palavras de minha compreensão despretensiosa da leitura iniciante deste autor deveras instigante....

Et quoi?! Não é que o primeiro aforismo discutido de “O crepúsculo dos ídolos” tem as mesmas tintas de nossa já encaminhada discussão pontyana — o corpo (!), os sentidos, a razão —, obviamente pintadas pelo gênio notadamente irônico de Nietzsche...

Ultrapassando em muito os limites de um exame meramente epistemológico, Nietzsche detecta os preconceitos morais das oposições sentido e razão ou aparência e verdade, deixando muito espaço para a reflexão sobre as conseqüências de sua crítica voraz ao primado da razão e da verdade (enquanto o que se opõe a aparência)!
Com uma tonalidade que posteriormente na história da filosofia reconheceremos em Heidegger (só para contextualizar com as discussões em sala de aula), afirma que a vida é ameaçada pela idolatria do conceito: crença desesperada no ente, tentativa de fixar o movimento para tentar encontrá-lo, pois os sentidos, estes enganadores, nos impediriam de ver (irônico não? Ver ....) o verdadeiro mundo. Uma das conseqüências deste prejuízo: o corpo é tomado por uma “idéia fixa” dos sentidos que deve ser banida. E facilmente detectamos na história da filosofia o quão séria é esta constatação, mesmo o empirismo pouco se importa com ele, visto que sua preocupação é a de decifrar as qualidades primárias e secundárias que compõe nossa percepção das coisas. Tudo o que tem a ver com a “sensualidade” deve ser sublimado! É preciso encontrar, dizem os filósofos, uma unidade: a substância! E conceitos como este que, de fato, só surgem depois de toda esta confusão armada, são, para estes “idólatras do conceito” os primeiros, as causas — não sujeitas ao devir — de tudo o que muda. Entendem eles que por trás da mudança, que é erro, deve haver a identidade do que dura no devir, d’onde por um lado chegamos ao conceito de “Deus” como causa em si e ens realissimun e por outro, pela metafísica ludibriosa da linguagem à idéia de Eu, como agente da vontade que reconhecemos no mundo, onde se assentaria a razão. Esta como causa está na ordem do não sujeito à corrupção e não poderia provir do empírico, deverá então ser originária de um mundo superior. E, como bem nos prova a conclusão indubitável do procedimento metodológico cartesiano, a tese do “Eu” tem a gramática e a lógica a seu favor! O problema de ordem moral, para além das conseqüências epistemológicas, é anterior, todo esta escamoteação do devir e com ele dos sentidos e do corpo tem a ver com a incapacidade de apreendê-lo, de dominá-lo, assim, no lugar de aceitá-lo ele é negativamente valorado!

Mas, Nietzsche nos propõe uma inversão de tudo isso: os sentidos não mentem, mentira é a unidade, a coisidade, a substância e a razão é a causa de neles introduzirmos esta mentira. O aparente é o verdadeiro! Nenhuma outra realidade é demonstrável, o assim chamado “verdadeiro ser” das coisas pela tradição é na verdade o nada. Esta cisão do mundo em “aparente e verdadeiro” é que é uma “decadência”! Com isso também, ainda que o autor não se pronuncie sobre, sucumbe idéia da substância pensante, visto que ela é originada no preconceito da identidade que o real não suporta.

Algumas questões para reflexão: e nós, podemos suportar tal destruição de nossos preconceitos? Sobrevivemos se não nos reconhecemos na identidade de duração de nossas vidas? Por fim: somos como o “artista trágico” capazes de dizer “sim a todo o misterioso e terrível”? Como fazer filosofia sem nossas velhas ferramentas? ...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

novo horário e novidades para o atendimento REUNI

Caros,

a partir de agora o atendimento será todas as segundas-feiras das 13h às 14h, a princípio, na sala do NIM (Núcleo de Investigações Metafísicas - sala 207 - prédio novo do CFH) e terá o formato de "Grupo de leituras em Ontologia II", a novidade é que os participantes receberão certificados no fim do semestre e poderão somar às horas extra-curriculares.
Então, até segunda!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

ampliando o horizonte: divulgação de atendimento REUNI

Caros,

Sei que estou em débito com este espaço, mas logo retornarei a postar nossas impressões de leitura da "Fenô". Por agora, quero dizer que resolvi ampliar o campo de atuação deste blog e estende-lo também às minhas atividades enquanto bolsista do programa REUNI. Além de informações práticas, como horários de atendimentos, divulgação de palestras, etc., sempre que possível (e interessante também), postarei aqui dicas sobre os textos discutidos no atendimento.

Elizia Cristina Ferreira — Bolsita REUNI

eliziacristina@hotmail.com

Área de atuação: ontologia e fenomenologia; Descartes, Kant, Husserl, Merleau-Ponty, entre outros.

ATENDIMENTO

Descrição da atividade: atendimento destinado ao curso “Ontologia II” ofertado pela professora Cláudia Drucker, mas todos os interessados poderão comparecer.

Dinâmica: leitura e discussão de textos paralelos aos trabalhados na disciplina, discussão dos temas pertinentes as avaliações e acerca de outros temas que interessem aos alunos e que fazem parte da área de atuação da bolsista (de preferência previamente agendados)

Próximo texto a ser lido: NIETZSCHE, Friedrich. Crepúsculo dos ídolos (ou como filosofar com o martelo). Seções: A “razão” na Filosofia; Como o “mundo verdadeiro” acabou por se tornar fábula, Moral como contranatureza, Os quatro grandes erros. CASA NOVA, Marco Antônio (trad.). Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2000, pp. 25-50.

Cronograma das atividades: os atendimentos serão realizados quinzenalmente, às quartas-feiras das 11h às 12h30min, na sala de Tutores do EAD (Ensino à Distância) da filosofia. Próximos encontros:

19 de maio

02, 16 e 30 de junho

14 e 28 de julho

GRUPO DE ESTUDOS: “A fenomenologia da percepção” de Merleau-Ponty

Descrição da atividade: leitura de discussão da referida obra. O grupo conta com a participação de pós-graduandos e é aberto aos graduandos que podem participar seja apenas como assistente, seja como proponente de leitura. Independente do conhecimento prévio da filosofia fenomenológica de um modo geral, todo interessado é convidado a comparecer aos encontros para tirar suas dúvidas ou aprofundar-se nesta temática.

Dinâmica: a cada encontro, um participante fica responsável por conduzir a discussão de um trecho previamente determinado. Depois de encerrado o encontro, a bolsista está disponível para atendimento aos alunos que não tem disponibilidade de comparecer pela manhã (por obséquio, avisar antecipadamente por e-mail ou me procurar no café do CED).

Cronograma das próximas: os encontros ocorrem quinzenalmente, às segundas-feiras das 14h30min às 16h, na sala do NIM.

17 e 31 de maio

14 e 28 de junho

12 e 26 de julho


Piscadinhas ;)