sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

sobre o nascimento...

“Na casa onde nasce uma criança, todos os objetos mudam de sentido, eles se põem a esperar dela um tratamento ainda indeterminado, alguém diferente e alguém a mais está ali, uma nova história, breve ou longa, acaba de ser fundada, um novo registro está aberto. Minha primeira percepção, com os horizontes que a envolviam, é um acontecimento sempre presente, uma tradição inesquecível; mesmo enquanto sujeito pensante, ainda sou essa primeira percepção, sou a seqüência da mesma vida que ela inaugurou". (MERLEU-PONTY, "Fenomenologia da percepção", p.544-545)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

sobre a verdade, o erro e o mundo!


“O verdadeiro é que nem o erro nem a dúvida nos cortam da verdade, porque eles são rodeados por um horizonte de mundo em que a teleologia da consciência nos convida a procurar sua resolução. Enfim, a contingência do mundo não deve ser compreendida como um ser menor, uma lacuna no tecido do ser necessário, uma ameaça à racionalidade, nem como um problema a se resolver o mais cedo possível pela descoberta de alguma racionalidade mais profunda. Está aí a contingência ôntica, no interior do mundo. A contingência ontológica, a do próprio mundo, sendo radical, é ao contrário aquilo que funda de uma vez por todas a nossa idéia da verdade. O mundo é o real do qual o necessário e o possível são províncias.” (MERLEAU-PONTY. "A fenomenologia da percepção". p. 533).

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

sobre o tempo.

"Pois não há uma só de minhas ações, um só de meus pensamentos mesmo errôneos que, no momento em que aderir a eles, não tenham visado um valor ou uma verdade e que não conservem, conseqüentemente, sua atualidade na seqüência de minha vida, não apenas enquanto fato inapagável, mas ainda como etapa necessária em direção às verdades ou aos valores mais compeltos que a seguir eu reconheci. Minhas verdades foram construídas com estes erros e os arrastam em sua eternidade." (MERLEAU-PONTY, "A fenomenologia da percepção", p. 527)

sábado, 23 de janeiro de 2010

e outra!


"A criança e muitos homens são dominados por 'valores de situação' que lhes escondem seus sentimentos efetivos - contentes porque foram presenteados, tristes porque assistem a um enterro, alegres ou tristes de acordo com a paisagem e, para aquém desses sentimentos, indiferentes e vazios. 'Nós sentimos o próprio sentimento, mas de uma maneira inautêntica. É como a sobra de um sentimento autêntico'. Nossa atitude natural não é sentir nossos próprios sentimentos ou aderir a nossos próprios prazeres, mas viver segundo as categorias sentimentais do ambiente."

MERLEAU-PONTY, M. "A fenomenologia da percepção". (p. 507)

recomeçando...

queridos...
o ano acabou, o grupo se dissolveu, o ano recomeçou e há uma fagulha de esperança a respeito de novos deleitáveis encontros. eu não desisti deste espaço como posso ter lhes deixado presumir, só me ocupei com outros temas na vida que me absorveram mais do que eu gostaria n'alguns casos e mais do que deveriam n'outros!
entre uma distração e outra, festividades natalinas e de fim de ano, tentei dar continuidade a meus estudos pontyanos, deveria, pela minha condição e pela dificuldade do tema, ter dedicado-me muito mais, porém, a vida às vezes é mais urgente e é somente quando a teoria participa dela que conseguimos lhe dedicar a devida atenção...
certamente, anseio por retomar a discussão de onde parei, expor aqui minhas reflexões sobre a percepção (e sobre a própria reflexão também) oriundas de minhas incursões merleau-pontyanas ou não, mas ainda preciso "recuperar o fio da meada", como se diz. por ora, deixarei aqui algumas citações deste ou de outros autores, algumas excessivamente teóricas, outras mais heterogêneas, se a alguém apetecer comentá-las, ou à mim mesma: sintamo-nos a vontade!

piscadelas carinhosas com desejo de um feliz 2010 a todos!

aí vai uma:

"Instalado na vida, apoiado em minha natureza pensante, fixado neste campo transcendental que se abriu desde a minha primeira percepção e no qual toda ausência é apenas o avesso de uma presença, todo silêncio é apenas uma modalidade do ser sonoro, tenho uma espécie de ubiqüidade e de eternidade de princípio, sinto-me dedicado a um fluxo de vida inesgotável do qual não posso pensar nem o começo nem o fim, já que sou ainda eu enquanto vivo quem os pensa, e já que assim minha vida sempre precede e sobrevive a si mesma."
MERLEAU-PONTY, M. "A Fenomenologia da percepção". (p. 488)