segunda-feira, 23 de agosto de 2010

notícias!

olá! já não era sem tempo de dar notícias sobre o paradeiro destas pensações! pois bem, esta borboleta vai bater as asinhas por um tempo n'outras freguesias e pelos próximos dois semestres, as atividades estão suspensas. ao menos os encontros 'fisícos'. mas tentarei, sempre que possível postar aqui minhas impressões de leitura e àqueles que apetecer fica um convite de diálogo.
tenho feito levantamentos bibliográficos, encontrei coisas interessantes, logo mais as reparto!

piscadelas ;) et à bientôt!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Revisão prova

Hoje o grupo e o trio se reuniram e foram ambos os encontros produtivos. Logo mais, impressões serão postadas, prometo ;)

Por ora, gostaria de avisar aos alunos da disciplina de Ontologia II que quarta-feira que vem, nos reuniremos às 12:30hs, na sala de aula mesmo, para fazermos uma revisão do texto "Ontologia" da Susana de Castro. Todos que estiverem interessados (ou necessitados) estão convidados!

Piscadinhas

domingo, 13 de junho de 2010

algumas notas visuais sobre o novo formato do trio!







A concentração do trio, se esforçando em compreender o espaço corporal...







crianças cantantes

organismos, cores, formas ...





não olhe para os lados, não se distraia!

retomando as atividades com novidades!

Queridos, amanhã retornaremos normalmente as atividades dos dois grupos. Às 13hs nos encontramos no NIM para o grupo de leituras em Ontologia II e seguimos com o texto de Nietzsche e depois teremos o encontro do 'trio fenô'!

Novidades quentes:

Na quarta-feira a professora Cláudia me pediu para substituí-la e liberou a escolha do tema para a aula, então, como já podem imaginar, eu falarei sobre ontologia e fenomenologia. Exporei de modo breve a concepção husserliana desta disciplina e depois os encaminhamentos merleau-pontyanos (se tempo houver, obviamente...). Salve-se quem puder!

Quanto ao trio, o casal teve a feliz idéia de passarmos a nos reunirmos no parque do Córrego Grande (xii esqueci o nome). Já ensaiamos semana passada e a aprovamos por uninaminidade. Assim, sempre que o tempo estiver bom discutiremos sobre a noção de corpo ao modo peripatético, tomando mate e comendo pão de queijo na companhia de gralhas azuis, galinhas d'angolas, jacarés, criancinhas cantantes, etc. (já acima colocarei uma amostra!). Se o tempo não ajudar, então nos encerraremos no cubículo NIM mesmo :(... À exceção de amanhã, em que ele será ocupado pelos professores que compõe a banca do concurso, a partir das 14hs, se bem que tempo estará lindo e este adendo certamente terá sido desnecessário! E a bruxa deve estar solta por aí, pois eu também sou responsável pela nossa discussão desta semana que será sobre o capítulo "IV. A síntese do corpo próprio". Depois postarei aqui minhas impressões.

Piscadinhas

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Aviso importante

Semana que vem não teremos encontro nem do grupo de leituras em ontologia, nem do grupo de estudos, pois estarei viajando. Como na semana seguinte a UFSC estará fechada, os encontros serão retomados normalmente no dia 14 de junho.

Abraços a todos,

domingo, 23 de maio de 2010

Sobre as relações entre o psíquico e fisiológico ou entre consciência e mundo...

... este é o título que seria mais adequado ao capítulo: “O corpo como objeto da fisiologia mecanicista” da primeira parte “O corpo” da obra pontyana.

Já esclareço a razão desta afirmação, antes, permitam-me situá-los e cumprimentá-los adequadamente. Primeiramente, olá! Um aviso importante, o grupo “Fenomenologia da percepção” voltou a ser semanal e nos reunimos todas as segundas no mesmo horário e local. Bem, quase um mês depois quero continuar a saldar minha dívida com este espaço, nós já discutimos o segundo capítulo (“A experiência do corpo e a fisiologia clássica”) conduzidos pelo senhor Otávio e agora já há uns três encontros a flamenca Cláudia nos dirige na tentativa de compreensão do árduo terceiro capítulo (“A espacialidade do corpo próprio e a motricidade”).

Agora sim, retornemos ao primeiro capítulo! Bem, apesar do título “O corpo como objeto e a fisiologia mecanicista”, Merleau-Ponty, num raro momento afirmativo, pouco fala da concepção fisiológica de corpo e nos brinda com uma longa exposição sobre como ele entende ser possível, a partir de uma nova concepção de corporeidade, que se estabeleçam as relações entre o psíquico e o fisiológico. Talvez porque, como de costume, o autor entenda que o leitor já conheça o seu interlocutor, neste caso, adivinhem quem é: ele mesmo na sua obra “A estrutura do comportamento”. Nesta, ele já se deu ao trabalho de evidenciar que as relações estabelecidas a partir da perspectiva fisiológica não funcionam nem mesmo dentro de seu próprio esquema, nele o comportamento (e com ele a percepção e a consciência) não se explica. Com exemplos retirados do seio deste tipo de reflexão demonstra que as relações entre estímulo e resposta não são tão constantes e objetivas como se pretende que o fossem. Tal pretensão é oriunda da tese de que os objetos se relacionam entre si como partes extra partes o que demandam traduzir a noção de organismo em linguagem do em si, para que seja compreendida. Entretanto, a análise de lesões centrais e nas vias sensoriais mostra que as excitações de um mesmo sentido dependem mais da maneira que os estímulos elementares se organizam do que do instrumento material de que se servem. Ora, o comportamento nunca consegue ser reduzido a tais relações distintas, a lesão desvela uma capacidade de adaptação inerente ao organismo acusando sua função de dar uma forma aos estímulos. Este processo não pode ser algo que ocorra em terceira pessoa e do qual o cientista consiga se afastar para ter uma visão objetiva. Fazendo uso de sua marca registrada, Merleau-Ponty vai aos casos de exceção para comprovar a insuficiência desta concepção, desta feita os exemplos eleitos são os casos de “membro fantasma” e os de anosognosia. No primeiro o paciente amputado ainda sente o membro perdido e no segundo, a deficiência de um membro faz com que ele não o sinta mais, que o recuse. Vamos nos deter no primeiro caso, dele podemos perguntar: na ausência de estímulos, como poderia haver a resposta em forma de sensação do membro? Poderíamos dizer se tratar de uma recusa em aceitar a deficiência e neste caso teríamos uma resposta meramente psicológica que, aparentemente, explicaria o fenômeno. Contudo, bem sabemos, os extremos nunca são tão diferentes quanto gostariam e também esta é uma explicação insuficiente, prova disto é que se fizermos uma secção do coto, o paciente deixa de sentir o membro amputado. Por isto, afirmei no início que o título do capítulo deveria ser outro, afinal, o esforço de Ponty aqui, diante do naufrágio destas teses, é o de encontrar um meio de estabelecer uma relação válida entre os âmbitos psíquico e físico ou fisiológico. Sem contentar-se com uma explicação mista que ainda operaria no registro da cisão entre o em si e o para si, ele nos apresenta pela primeiríssima vez (nesta obra) o conceito de ser no mundo. Para compreender esta categoria é preciso sair daquelas que se baseiam no mundo objetivo e considerar o fato de que os reflexos não são processos cegos, mas se ajustam ao sentido da situação e exprimem nossa orientação para um meio de comportamento assim como a ação do meio sobre nós, com ela, é possível ancorar a consciência num certo mundo e dar sentido aquilo que para a concepção científica é uma mera soma de reflexos. A partir deste novo fio condutor de análise os fenômenos já citados podem ser verdadeiramente compreendidos, com ela o corpo ganha duas camadas, a do corpo objetivo e a do corpo habitual. O primeiro é o que conduz o ser no mundo e lhe permite unir-se a este meio (do mundo), confundir-se com seus projetos. E ainda que seja um objeto é totalmente diferente dos demais, pois também pode ser portar como um termo não percebido e como o pivô da percepção dos outros. Ele se habitua a se relacionar e a manipular os objetos deste hábito surge a segunda camada, a do corpo habitual, é nela que podemos encontrar explicação para o membro fantasma, o doente se recusa a aceitar a amputação, pois seu corpo habitual afiança as ações do corpo objetivo o ignorando, literalmente, recalcando-o. Tal constatação, traz consigo uma nova concepção de corporeidade e da relação não só do doente, mas de toda consciência com seu corpo. Isto mesmo meus caros, eis que Merleau-Ponty compara não só a doença, mas também o próprio paradoxo do ser no mundo com o recalque psicanalítico! Diz ele que nossa existência enquanto sujeito suprime, recalca nossa existência enquanto corpo, e agimos na maioria das vezes como se fossemos absolutamente livres de necessidades (ou não sujeitos a corrupção, já liberando aqui alguma interpretação de minha parte...); contudo, o corpo nos situa na existência, e a constância entre alguns circuitos de estímulo e resposta nos insere num a priori ao qual não somos capazes de dar razão. Eis então a ambigüidade (famosa...) do ser no mundo: encarnado (literalmente) no seu corpo, por ele é situado neste mundo e ao mesmo tempo em que pode simplesmente obliterar sua existência biológica, sendo desta forma livre, nunca pode fazê-lo totalmente, pois, não só por algumas vezes ela cobra seu preço como a todo instante opera como um a priori da espécie, do qual o homem participa e que lhe determina mais decisões do que ele pode dar conta....

Ah!! Quantas reflexões podemos fazer a partir desta verdadeira enxurrada de informações! Mas, já me delonguei mais do que gostaria e imagino nem ter sido acompanhada até aqui. Despeço-me com a promessa de posts menos explicativos e mais livres sobre tantas questões instigantes! Por fim, uma pergunta que me acomete: com esta ambigüidade teria Ponty se liberado de uma explicação mista? ...

Piscadinhas,

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A "razão" na filosofia

Deixo aqui algumas palavras de minha compreensão despretensiosa da leitura iniciante deste autor deveras instigante....

Et quoi?! Não é que o primeiro aforismo discutido de “O crepúsculo dos ídolos” tem as mesmas tintas de nossa já encaminhada discussão pontyana — o corpo (!), os sentidos, a razão —, obviamente pintadas pelo gênio notadamente irônico de Nietzsche...

Ultrapassando em muito os limites de um exame meramente epistemológico, Nietzsche detecta os preconceitos morais das oposições sentido e razão ou aparência e verdade, deixando muito espaço para a reflexão sobre as conseqüências de sua crítica voraz ao primado da razão e da verdade (enquanto o que se opõe a aparência)!
Com uma tonalidade que posteriormente na história da filosofia reconheceremos em Heidegger (só para contextualizar com as discussões em sala de aula), afirma que a vida é ameaçada pela idolatria do conceito: crença desesperada no ente, tentativa de fixar o movimento para tentar encontrá-lo, pois os sentidos, estes enganadores, nos impediriam de ver (irônico não? Ver ....) o verdadeiro mundo. Uma das conseqüências deste prejuízo: o corpo é tomado por uma “idéia fixa” dos sentidos que deve ser banida. E facilmente detectamos na história da filosofia o quão séria é esta constatação, mesmo o empirismo pouco se importa com ele, visto que sua preocupação é a de decifrar as qualidades primárias e secundárias que compõe nossa percepção das coisas. Tudo o que tem a ver com a “sensualidade” deve ser sublimado! É preciso encontrar, dizem os filósofos, uma unidade: a substância! E conceitos como este que, de fato, só surgem depois de toda esta confusão armada, são, para estes “idólatras do conceito” os primeiros, as causas — não sujeitas ao devir — de tudo o que muda. Entendem eles que por trás da mudança, que é erro, deve haver a identidade do que dura no devir, d’onde por um lado chegamos ao conceito de “Deus” como causa em si e ens realissimun e por outro, pela metafísica ludibriosa da linguagem à idéia de Eu, como agente da vontade que reconhecemos no mundo, onde se assentaria a razão. Esta como causa está na ordem do não sujeito à corrupção e não poderia provir do empírico, deverá então ser originária de um mundo superior. E, como bem nos prova a conclusão indubitável do procedimento metodológico cartesiano, a tese do “Eu” tem a gramática e a lógica a seu favor! O problema de ordem moral, para além das conseqüências epistemológicas, é anterior, todo esta escamoteação do devir e com ele dos sentidos e do corpo tem a ver com a incapacidade de apreendê-lo, de dominá-lo, assim, no lugar de aceitá-lo ele é negativamente valorado!

Mas, Nietzsche nos propõe uma inversão de tudo isso: os sentidos não mentem, mentira é a unidade, a coisidade, a substância e a razão é a causa de neles introduzirmos esta mentira. O aparente é o verdadeiro! Nenhuma outra realidade é demonstrável, o assim chamado “verdadeiro ser” das coisas pela tradição é na verdade o nada. Esta cisão do mundo em “aparente e verdadeiro” é que é uma “decadência”! Com isso também, ainda que o autor não se pronuncie sobre, sucumbe idéia da substância pensante, visto que ela é originada no preconceito da identidade que o real não suporta.

Algumas questões para reflexão: e nós, podemos suportar tal destruição de nossos preconceitos? Sobrevivemos se não nos reconhecemos na identidade de duração de nossas vidas? Por fim: somos como o “artista trágico” capazes de dizer “sim a todo o misterioso e terrível”? Como fazer filosofia sem nossas velhas ferramentas? ...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

novo horário e novidades para o atendimento REUNI

Caros,

a partir de agora o atendimento será todas as segundas-feiras das 13h às 14h, a princípio, na sala do NIM (Núcleo de Investigações Metafísicas - sala 207 - prédio novo do CFH) e terá o formato de "Grupo de leituras em Ontologia II", a novidade é que os participantes receberão certificados no fim do semestre e poderão somar às horas extra-curriculares.
Então, até segunda!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

ampliando o horizonte: divulgação de atendimento REUNI

Caros,

Sei que estou em débito com este espaço, mas logo retornarei a postar nossas impressões de leitura da "Fenô". Por agora, quero dizer que resolvi ampliar o campo de atuação deste blog e estende-lo também às minhas atividades enquanto bolsista do programa REUNI. Além de informações práticas, como horários de atendimentos, divulgação de palestras, etc., sempre que possível (e interessante também), postarei aqui dicas sobre os textos discutidos no atendimento.

Elizia Cristina Ferreira — Bolsita REUNI

eliziacristina@hotmail.com

Área de atuação: ontologia e fenomenologia; Descartes, Kant, Husserl, Merleau-Ponty, entre outros.

ATENDIMENTO

Descrição da atividade: atendimento destinado ao curso “Ontologia II” ofertado pela professora Cláudia Drucker, mas todos os interessados poderão comparecer.

Dinâmica: leitura e discussão de textos paralelos aos trabalhados na disciplina, discussão dos temas pertinentes as avaliações e acerca de outros temas que interessem aos alunos e que fazem parte da área de atuação da bolsista (de preferência previamente agendados)

Próximo texto a ser lido: NIETZSCHE, Friedrich. Crepúsculo dos ídolos (ou como filosofar com o martelo). Seções: A “razão” na Filosofia; Como o “mundo verdadeiro” acabou por se tornar fábula, Moral como contranatureza, Os quatro grandes erros. CASA NOVA, Marco Antônio (trad.). Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2000, pp. 25-50.

Cronograma das atividades: os atendimentos serão realizados quinzenalmente, às quartas-feiras das 11h às 12h30min, na sala de Tutores do EAD (Ensino à Distância) da filosofia. Próximos encontros:

19 de maio

02, 16 e 30 de junho

14 e 28 de julho

GRUPO DE ESTUDOS: “A fenomenologia da percepção” de Merleau-Ponty

Descrição da atividade: leitura de discussão da referida obra. O grupo conta com a participação de pós-graduandos e é aberto aos graduandos que podem participar seja apenas como assistente, seja como proponente de leitura. Independente do conhecimento prévio da filosofia fenomenológica de um modo geral, todo interessado é convidado a comparecer aos encontros para tirar suas dúvidas ou aprofundar-se nesta temática.

Dinâmica: a cada encontro, um participante fica responsável por conduzir a discussão de um trecho previamente determinado. Depois de encerrado o encontro, a bolsista está disponível para atendimento aos alunos que não tem disponibilidade de comparecer pela manhã (por obséquio, avisar antecipadamente por e-mail ou me procurar no café do CED).

Cronograma das próximas: os encontros ocorrem quinzenalmente, às segundas-feiras das 14h30min às 16h, na sala do NIM.

17 e 31 de maio

14 e 28 de junho

12 e 26 de julho


Piscadinhas ;)

domingo, 4 de abril de 2010

algumas pinceladas sobre o corpo...

Já tivemos dois encontros depois do primeiro e eu ainda não tive tempo de compartilhá-los aqui! Também deixei de avisar que os encontros passaram para as segundas-feiras (14:30h no NIM) e serão quinzenais! Estou sem crédito para tanto débito e como primeira parcela de pagamento deixo abaixo algumas linhas gerais sobre a introdução da primeira parte da “Feno”: O corpo.





Não é à toa que, antes de falar sobre o corpo Merleau-Ponty dedica algumas páginas à percepção e ao horizonte que a acompanha. A experiência é fadada a perspectivas e elas se dispõem num horizonte de possibilidades passíveis de apreensão. A percepção é, portanto, um êxtase, afinal, ela é um excesso para além do fato de que só temos das coisas, seus perfis e nada mais. Dirá o filósofo que “obcecados” pelo ser nós obliteramos o perspectivismo de nossa experiência e é aí que esquecemos que o corpo é nosso “ponto de vista” sobre o mundo e o tratamos como um objeto entre outro. O exercício dos capítulos seguintes de análise do que ele chama de “corpo objetivo” visará então fazer brotar o “corpo próprio” como o que escapa a estas determinações puramente objetivas.

Já tivemos um encontro sobre o capítulo I: “O corpo como objeto e a fisiologia mecanicista” e para amanhã discutiremos “A experiência do corpo e a psicologia clássica”. Tentarei não me delongar tanto em tratar deles por aqui também!

Piscadinhas ;)

quarta-feira, 17 de março de 2010

qual o tema do livro?

No nosso primeiro encontro oficial para discussão da "Fenomenologia da percepção" surgiu a pergunta: sobre o que é este livro? ou, por outras: o que quer Merleau-Ponty com ele? Obviamente o título parece evidente, mas, além da dificuldade de se definir a percepção (é preciso todo um cuidado para que não o compreendamos como uma sorte de empirismo, p.ex), é difícil apreender qual o estatuto desta investigação pontyana. Ela tem um apelo epistemológico ou ontológico simplesmente? Guarda um 'quê' de existencialismo? Alguma orientação ética no fim? O percurso excessivamente crítico e complexo do autor nos deixa um pouco a deriva, são tantos e tão variados discursos ali enquadrados...
Lendo o "Elogio do sensível: corpo e reflexão em Merleau-Ponty" de Isabel Matos Dias encontrei uma possível luz para esta questão. De acordo com ela o originário é o objeto fundamental desta obra (DIAS, 1989, p. 147) e a perseguição deste tema é fruto justamente das críticas que remete as posturas unilaterais. Ela entende (e nós a princípio concordamos) que Merleau-Ponty "não adquire uma real autonomia em relação as doutrinas que critica" (DIAS, 1989, p. 146), entretanto, sua falta de autonomia advém da tentativa de estabelecer um meio termo entre os extremos intelectualista e empirista o deixando de algum modo em débito com eles. De qualquer modo, poder-se-ia dizer, para responder nossa pergunta, que este originário é ambíguo e deve comportar um pouco daquilo que cada tese extremista prevê. O estatuto desta ambigüidade (que o próprio Ponty designará posteriormente por "má-ambigüidade"), se ontológico ou da ordem da expressão é algo que autora discute na seqüência (sem concluir, ao menos por enquanto - não terminei a leitura do texto) mas que eu gostaria de deixar como questão para posts futuros.
Quero apenas concluir com uma citação em que ela nos apresenta sobre o conceito de corpo (justamente o tema deste semestre) que parece justificar a ambigüidade, sendo talvez o lugar onde ela se apresenta. Nas palavras de Isabel:

"O corpo é a instância mediadora central para que remetem em última análise, as relações entre os termos principais da filosofia pontiana, em Phénoménologie de la Perception. Meditação entre sujeito e mundo, sujeito e tempo, sujeito e outro, etc. A corporeidade tem assim uma função central de mediação." (DIAS, 1989, p. 151)

Referência:
DIAS, Isabel Matos. O elogio do sensível corpo e reflexão em Merleau-Ponty. Lisboa: Litoral Edições, 1989.

quinta-feira, 11 de março de 2010

aos alunos de "Fenomenologia e existencialismo"

Àqueles que por ventura conseguirem encontrar este blog, visto que passei o endereço errado!:( aviso que o curso será realizado na sala 509 (auditório) do CCB e que o horário de atendimento da monitoria será às segundas-feiras (local a confirmar - provavelmente NIM) às 16h.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Retomando os encontros...

Para os interessados, retomaremos as reuniões do Grupo de estudos. Nosso primeiro encontro, para combinarmos os detalhes quanto à horário e modo de trabalho, será na próxima quarta-feira, dia 10/03/2010, às 14hs na praça de alimentação do Centro de Convenções e Eventos da UFSC. A princípio deveremos nos reunir sempre nesse dia da semana e horário, quinzenalmente. Falta apenas definir o local, tão logo eu consiga uma sala os informo e também postarei aqui as decisões desta primeira reunião.

Um abraço e um bom ano a todos!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

sobre o nascimento...

“Na casa onde nasce uma criança, todos os objetos mudam de sentido, eles se põem a esperar dela um tratamento ainda indeterminado, alguém diferente e alguém a mais está ali, uma nova história, breve ou longa, acaba de ser fundada, um novo registro está aberto. Minha primeira percepção, com os horizontes que a envolviam, é um acontecimento sempre presente, uma tradição inesquecível; mesmo enquanto sujeito pensante, ainda sou essa primeira percepção, sou a seqüência da mesma vida que ela inaugurou". (MERLEU-PONTY, "Fenomenologia da percepção", p.544-545)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

sobre a verdade, o erro e o mundo!


“O verdadeiro é que nem o erro nem a dúvida nos cortam da verdade, porque eles são rodeados por um horizonte de mundo em que a teleologia da consciência nos convida a procurar sua resolução. Enfim, a contingência do mundo não deve ser compreendida como um ser menor, uma lacuna no tecido do ser necessário, uma ameaça à racionalidade, nem como um problema a se resolver o mais cedo possível pela descoberta de alguma racionalidade mais profunda. Está aí a contingência ôntica, no interior do mundo. A contingência ontológica, a do próprio mundo, sendo radical, é ao contrário aquilo que funda de uma vez por todas a nossa idéia da verdade. O mundo é o real do qual o necessário e o possível são províncias.” (MERLEAU-PONTY. "A fenomenologia da percepção". p. 533).

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

sobre o tempo.

"Pois não há uma só de minhas ações, um só de meus pensamentos mesmo errôneos que, no momento em que aderir a eles, não tenham visado um valor ou uma verdade e que não conservem, conseqüentemente, sua atualidade na seqüência de minha vida, não apenas enquanto fato inapagável, mas ainda como etapa necessária em direção às verdades ou aos valores mais compeltos que a seguir eu reconheci. Minhas verdades foram construídas com estes erros e os arrastam em sua eternidade." (MERLEAU-PONTY, "A fenomenologia da percepção", p. 527)

sábado, 23 de janeiro de 2010

e outra!


"A criança e muitos homens são dominados por 'valores de situação' que lhes escondem seus sentimentos efetivos - contentes porque foram presenteados, tristes porque assistem a um enterro, alegres ou tristes de acordo com a paisagem e, para aquém desses sentimentos, indiferentes e vazios. 'Nós sentimos o próprio sentimento, mas de uma maneira inautêntica. É como a sobra de um sentimento autêntico'. Nossa atitude natural não é sentir nossos próprios sentimentos ou aderir a nossos próprios prazeres, mas viver segundo as categorias sentimentais do ambiente."

MERLEAU-PONTY, M. "A fenomenologia da percepção". (p. 507)

recomeçando...

queridos...
o ano acabou, o grupo se dissolveu, o ano recomeçou e há uma fagulha de esperança a respeito de novos deleitáveis encontros. eu não desisti deste espaço como posso ter lhes deixado presumir, só me ocupei com outros temas na vida que me absorveram mais do que eu gostaria n'alguns casos e mais do que deveriam n'outros!
entre uma distração e outra, festividades natalinas e de fim de ano, tentei dar continuidade a meus estudos pontyanos, deveria, pela minha condição e pela dificuldade do tema, ter dedicado-me muito mais, porém, a vida às vezes é mais urgente e é somente quando a teoria participa dela que conseguimos lhe dedicar a devida atenção...
certamente, anseio por retomar a discussão de onde parei, expor aqui minhas reflexões sobre a percepção (e sobre a própria reflexão também) oriundas de minhas incursões merleau-pontyanas ou não, mas ainda preciso "recuperar o fio da meada", como se diz. por ora, deixarei aqui algumas citações deste ou de outros autores, algumas excessivamente teóricas, outras mais heterogêneas, se a alguém apetecer comentá-las, ou à mim mesma: sintamo-nos a vontade!

piscadelas carinhosas com desejo de um feliz 2010 a todos!

aí vai uma:

"Instalado na vida, apoiado em minha natureza pensante, fixado neste campo transcendental que se abriu desde a minha primeira percepção e no qual toda ausência é apenas o avesso de uma presença, todo silêncio é apenas uma modalidade do ser sonoro, tenho uma espécie de ubiqüidade e de eternidade de princípio, sinto-me dedicado a um fluxo de vida inesgotável do qual não posso pensar nem o começo nem o fim, já que sou ainda eu enquanto vivo quem os pensa, e já que assim minha vida sempre precede e sobrevive a si mesma."
MERLEAU-PONTY, M. "A Fenomenologia da percepção". (p. 488)